Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

Posts Tagged ‘Relatório’

RERS 2011: estudo sobre educação francesa

segunda-feira, outubro 10th, 2011

Postado por: CenDoTeC

O estudo « Repères et références statistiques sur les enseignements, la formation et la recherche », RERS, traz dados estatísticos sobre o sistema de ensino e de pesquisa francês, divididos em mais de 180 temáticas, constituindo referências para a reflexão sobre a evolução do sistema educacional francês. A publicação é anual, realizada pela direção de avaliação, prospectiva e desempenho do ministério francês de educação.

A pesquisa referente a este ano foi publicada em setembro e está disponível online. Ela está dividida nas seguintes temáticas:

    • Sistema educacional – este capítulo introdutório traz dados sintéticos sobre o sistema de ensino francês.
    • Estabelecimentos – descrição dos estabelecimentos de ensino pelo tamanho, número médio de alunos por classe, se pertencentes ao setor público ou privado.
    • Alunos de primeiro nível – trata das escolas maternais e elementares. Os alunos são descritos segundo idade e gênero, nível de ensino e repartição territorial. São abordados em particular a escolarização de crianças com deficiência e o ensino de línguas estrangeiras.
    • Alunos do segundo nível – apresenta as estatísticas da população escolar do ensino secundário levando em conta características sociodemográficas dos estudantes, os cursos e sua repartição territorial. Trata detalhadamente das trajetórias escolares dos alunos.
    • Aprendizes – descreve os centros de formação de aprendizes a partir das características sociodemográficas de seus alunos, distribuição territorial e níveis de diplomas.
    • Estudantes – aborda o ensino superior e inclui uma pesquisa a respeito das trajetórias de graduandos de 2008. Este capítulo também apresenta dados sobre a procedência de estudantes estrangeiros na França.
    • Formação continuada – analisa a formação ao longo da vida compreendida em número de estágios, nível de ensino, número de certificados obtidos e financiamentos.
    • Resultados, diplomas e inserção – traz uma avaliação de competências dos alunos que terminaram o ensino elementar ou secundário, bem como dos estudantes que conquistaram o diploma, abordando suas perspectivas de inserção profissional.
    • Profissionais – neste capítulo os profissionais de ensino são descritos segundo status, estabelecimento de exercício, repartição territorial, domínio de intervenção (ensino, administração, enquadramento) e atuação no setor público ou privado. Também são analisados os concursos de recrutamento e a mobilidade de professores dentro da França.
    • Orçamento, custos e financiamento – expõe os custos da educação mostrando a evolução do orçamento, o modo como é repartido, os custos médios por aluno, as bolsas e auxílios sociais.
    • Pesquisa e desenvolvimento – apresentados do ponto de vista do quadro de pesquisadores, das despesas internas e externas e da repartição do orçamento entre atores privados e públicos.
    • Ultramar – apresenta de maneira detalhada as estatísticas educacionais referentes aos departamentos de ultramar como Nova Caledônia, Antilhas e Guiana Francesa e Polinésia Francesa.

Além do estudo, o site disponibiliza as várias tabelas estatísticas analisadas e links interessantes para quem quer se aprofundar no assunto.

Sobre o ensino superior na França,  especificamente, há um estudo anual intitulado ” O estado do ensino superior e da pesquisa na França” . Realizada pelo Ministério de Ensino Superior e Pesquisa, traz dados estatísticos sobre a entrada no ensino superior, o perfil dos estudantes, financiamento e recursos, percurso e sucesso educacional, nível de estudo e inserção profissional. A versão 2010 está disponível online.

Acesse: http://www.education.gouv.fr/cid57096/reperes-et-references-statistiques.html

Inovação na América Latina

domingo, julho 17th, 2011

O Estado de São Paulo – 15/07/2011

Ao avaliar de acordo com novos critérios a evolução do processo de inovação na América Latina, o Insead, uma das principais escolas de negócios da Europa, chegou a conclusões animadoras e até surpreendentes. Em relatório que publica anualmente, em parceria com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), uma agência especializada da Organização das Nações Unidas, o Insead apontou uma notável evolução do Brasil no Indicador Global de Inovação (GII, na sigla em inglês). Entre 125 países analisados, o Brasil ocupa o 47.º lugar, 21 posições à frente da classificação obtida no relatório de 2010, e agora à frente da Rússia e da Índia. De acordo com o estudo do Insead e da Ompi, o Brasil cria muito com poucos recursos e, por isso, no quesito da eficiência dos governos em inovação e criatividade está em 7.º lugar, à frente das principais economias industrializadas.

No capítulo sobre os avanços recentes da América Latina no campo da inovação – isto é, o desenvolvimento de novos produtos, mudanças nos processos produtivos, métodos de marketing e evolução do ambiente econômico e do modelo de negócios -, o relatório afirma que o tema passou a ocupar uma posição destacada entre as principais preocupações dos governantes e dos dirigentes das empresas. O ambiente político e econômico da região ficou mais favorável para a atividade produtiva e para a inovação, em razão da adoção de políticas fiscais mais rigorosas e claras e, depois da crise global, de medidas que evitaram a estagnação econômica.

Sem deixar de considerar na devida proporção elementos conhecidos e essenciais para aferir o grau de inovação nas economias nacionais e nas empresas – como os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o número de patentes requeridas e registradas anualmente, a participação dos produtos de alta tecnologia na pauta de exportações de um país e a produtividade média da economia, entre outros -, o relatório do Insead/Ompi leva em conta outros fatores de grande relevância na América Latina.

Um deles é a inovação num país com abundantes recursos naturais. O exemplo de política pública eficiente nessas condições, citado pelo relatório, é o trabalho da Embrapa, que tem estimulado o cultivo das variedades mais adequadas a cada região do País. Outra política destacada pelo Insead e pela Ompi é a formação de nichos tecnológicos com apoio público ou privado, como os arranjos produtivos locais estimulados pelo Sebrae. Na inovação voltada para a preservação ambiental, o relatório cita o desenvolvimento do etanol no Brasil, que transformou a América Latina na segunda maior região produtora de biocombustível do mundo.

O relatório observa que, para melhorar sua posição no mundo, a América Latina precisa melhorar seu capital humano – pesquisadores, empreendedores, gerentes, empregados, fornecedores e clientes -, melhorando o sistema de educação formal em todos os níveis e o treinamento e retreinamento da mão de obra.

Os governos precisam assegurar ambiente adequado para a produção e a inovação, oferecer condições adequadas para o desenvolvimento da pesquisa científica e garantir a estabilidade das regras para a atividade econômica e a infraestrutura necessária, inclusive por meio de uma rede ampla de internet de alta velocidade. É preciso, também, que haja fonte de financiamentos para as empresas empreendedoras.

São condições conhecidas há muito tempo, mas que o Brasil ainda não consegue oferecer. Dos 125 países examinados, o Brasil ocupa a 95.ª posição no que se refere à qualidade do sistema de ensino superior. Quanto a ambiente para a realização de negócios, a posição brasileira é ainda pior: 118.ª. Além de ter uma carga tributária classificada entre as 5 piores entre os 125 países, o Brasil é o penúltimo em termos de rapidez na abertura de novos negócios. Tudo isso tem muito a ver com a ação do poder público.

Por isso, o avanço do Brasil no campo da inovação depende muito mais do governo do que do setor privado.

Creative Economy: a feasible development option

domingo, abril 3rd, 2011

UNCTAD.org – Creative Ecnonomy Report 2010


Creative Economy: a feasible development option (423 p.)


Destaques

Um novo paradigma de desenvolvimento está surgindo, que liga a economia e a cultura, abrangendo aspectos econômicos, culturais, tecnológicos e sociais do desenvolvimento, tanto a nível macro quanto micro. Central para o novo paradigma é o fato de que a criatividade, o conhecimento e o acesso à informação são cada vez mais reconhecidos como um poderoso motor do crescimento econômico e do desenvolvimento em um mundo globalizado.

A emergente economia criativa tem se tornado um componente principal do crescimento econômico, geração de empregos, comércio e inovação e coesão social nas economias mais avançadas. Infelizmente, porém, a grande maioria dos países em desenvolvimento ainda não é capaz de aproveitar sua capacidade criativa para o desenvolvimento. Isto é um reflexo de deficiências tanto em políticas internas e no ambiente de negócios, quanto de tendências do sistema global. No entanto, a economia criativa oferece aos países em desenvolvimento uma opção viável e novas oportunidades para dar grandes saltos em áreas emergentes e de alto crescimento da economia mundial.

Este relatório apresenta uma visão atualizada das Nações Unidas como um todo sobre este tema novo e excitante. Ele fornece evidência empírica de que as indústrias criativas estão entre os setores emergentes mais dinâmicos no comércio mundial. Ele também mostra que a interface entre criatividade, cultura, economia e tecnologia, tal como expresso na capacidade de criar e fazer circular o capital intelectual, tem o potencial de gerar renda, empregos e receitas de exportação e, ao mesmo tempo, contribuir para a inclusão social, diversidade cultural e desenvolvimento humano. Este relatório aborda o desafio de avaliar a economia criativa tendo em vista a definição de políticas fundamentadas, esboçando os marcos conceituais, institucionais e políticos em que essa economia pode prosperar.

Table of Contents

Full Report (PDF, 4,5 Mb, 423p.)