Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Menos verba para pesquisa nos Estados Unidos

terça-feira, setembro 27th, 2011

Agência FAPESP – A American Association for the Advancement of Science (AAAS) e diversas outras sociedades científicas, universidades e centros de pesquisa nos Estados Unidos enviaram uma carta aos membros do Congresso do país destacando o “papel crítico” da pesquisa e desenvolvimento.

A carta é uma resposta ao corte proposto pelo governo norte-americano no orçamento destinado à ciência e tecnologia e outros setores em tentativa de diminuir o déficit federal. O orçamento do ano fiscal 2011 ainda não foi aprovado pelo Congresso.

“A ciência inovativa protege a segurança pública e nacional e apoia a prosperidade econômica. Investir agora em pesquisa científica importante resultará na criação de empregos e reforçará a economia norte-americana a longo prazo”, destaca o documento.

“Cortar o financiamento à ciência de modo a reduzir a dívida nacional não apenas afetará adversamente a inovação imediata, mas também reprimirá o crescimento futuro e colocará em risco a segurança nacional.”

Segundo o documento, a história mostra que grande parte do crescimento vivido pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial é resultado do forte apoio para os investimentos em ciência e tecnologia.

Mas, de acordo com o texto, apesar do alto retorno desse investimento, o financiamento federal à pesquisa em comparação com o produto interno produto (PIB) do país caiu 60% nos últimos 40 anos.

“Somado ao financiamento federal estagnado nos últimos dois anos, isso representa uma tendência insustentável que não pode continuar no ano fiscal 2012. Em comparação, a China aumentou seu investimento em pesquisa em desenvolvimento a uma taxa anual de 5,7% sobre o PIB entre 2001 e 2007”, destaca a carta reproduzida a seguir.

30 August 2011

Dear Member:

On behalf of the greater scientific community, and the more than millions of scientists, engineers, academics, students, and industry professionals represented by the hundreds of organizations, societies, and universities that we encompass, we strongly encourage you to consider the critical role of scientific research as you continue to work on the fiscal year 2012 budget. Innovative science protects public safety and national security, and supports our economic prosperity. Investing in critical science research now will create jobs and reinforce the American economy in the long run. Slashing science funding in order to reduce the national debt not only adversely affects immediate innovation, but will also stifle future economic growth and jeopardize our national security.

Scientific research and discovery have brought us monumental achievements that have improved and protected our way of life, including the more accurate and precise severe weather predictions that saved so many lives earlier this year during the tornado outbreaks throughout the South and in Joplin, Missouri.

History shows that much of the growth we have enjoyed since World War II is the result of strong support for and investments in science and technology. And, while only four percent of the nation’s workforce is composed of scientists and engineers, this group disproportionately creates jobs for the other 96 percent.

Despite this high level of return on investment that comes from funding science, federal funding for research and development as a fraction of GDP has declined by 60 percent in 40 years. Coupled with the stagnant federal funding of the last two years, this represents an unsustainable trend that cannot be allowed to continue in FY12. In contrast, China increased its R&D investment at an annual rate of 5.7 percent of GDP between 2001 and 2007.

We are also concerned with the responsibility placed upon the special congressional debt reduction committee. Should this group be unable to reach an agreement by the imposed deadline, the ensuing across-the-board cuts would have significant negative impacts on our ability to predict severe weather, provide clean drinking water and safe food, ensure safe aviation, enhance our basic understanding for addressing global challenges and prepare our next generation of scientists to keep us globally competitive. The consequences of such cuts would be very real and potentially devastating to the safety of the American public and economy, and we strongly encourage you to prevent that scenario from occurring.

Making wise investments in science is critical to our public safety, national security, and economic vitality. The long-term cost to the American people of failing to appropriately fund scientific research and development will be severe and far-reaching.

Sincerely,

American Association for the Advancement of Science
American Geological Institute
American Geophysical Union
American Institute for Medical and Biological Engineering
American Phytopathological Society
American Psychological Association
American Society for Microbiology
American Society of Civil Engineers
American Sociological Association
American Statistical Association
Arctic Research Consortium of the United States
Association of American Geographers
Association of Environmental and Engineering Geologists
Association of Population Centers
Biophysical Society
Consortium for Ocean Leadership
Council for Chemical Research
Cray Inc.
Federation of Associations in Behavioral and Brain Sciences
Geological Society of America
International Society for Optics and Photonics
Materials Research Society
Michigan State University
National Association of Marine Laboratories
National Ecological Observatory Network (NEON)
Population Association of America
Research!America
Seismological Society of America
Semiconductor Industry Association
Society for Industrial and Applied Mathematics
University Corporation for Atmospheric Research
University of Pittsburgh

Parque Tecnológico de São José do Rio Preto recebe investimento

sexta-feira, setembro 9th, 2011

Agência FAPESP – A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia anunciou a liberação de R$ 7,2 milhões em recursos do Estado de São Paulo para a construção do Parque Tecnológico de São José do Rio Preto (ParTec Rio Preto). A confirmação do repasse foi feita durante o 1° Seminário ParTec, realizado em 26 de agosto em São José do Rio Preto.

De acordo com a Secretaria, o Parque Tecnológico de São José do Rio Preto será implantado em uma área municipal com mais de 845 mil m², localizada nas proximidades da Rodovia Washington Luiz (SP-310). O futuro empreendimento será voltado à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos e processos nas áreas de saúde, instrumentação, química, informática e agronegócio.

O investimento de R$ 7,2 milhões do Governo de São Paulo será destinado à construção de dois edifícios que deverão abrigar o núcleo administrativo do parque e um centro empresarial, que contará com uma incubadora de empresas de base tecnológica, laboratórios e auditório com 210 lugares para convenções.

Segundo a Secretaria, o local terá todo o suporte necessário para a instalação de micro e pequenas empresas inovadoras. As obras terão início em 2012 com previsão de término em 2014.

“O Parque Tecnológico de Rio Preto será uma referência no desenvolvimento de soluções na área de saúde. Com o auxílio da pesquisa voltada à inovação, a expectativa é que as empresas desse setor alavanquem mercados globais e tecnologia de ponta, criando novas oportunidades e estimulando a geração de emprego e renda para os moradores da região”, disse o secretário Paulo Alexandre Barbosa.

O projeto pretende abrigar ainda uma estação experimental e um distrito industrial para empresas com perfil tecnológico, além de unidades de ensino superior, como o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e a Faculdade Estadual de Tecnologia (Fatec).

O projeto do ParTec Rio Preto faz parte do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec), criado pelo Governo do Estado de São Paulo para dar apoio e suporte a essas iniciativas, com o objetivo de atrair investimentos e gerar novas empresas intensivas em conhecimento ou de base tecnológica.

De acordo com a Secretaria, desde que o SPTec foi criado já foram investidos cerca de R$ 50 milhões na realização de obras e estudos para a implantação desses empreendimentos. Para 2011, estão previstos mais R$ 20 milhões.

Em todo o Estado de São Paulo existem 30 iniciativas para implantação de parques tecnológicos, sendo que o ParTec de São José dos Campos foi o primeiro a receber o status definitivo no sistema.

Mais informações: www.desenvolvimento.sp.gov.br/noticias/?ID=1876

Inovação deve surgir no espaço entre empresa e universidade, diz ganhador do Nobel

terça-feira, agosto 30th, 2011
Carlos Orsi

Antoninho Perri
Richard Schrock, nobelista de 2005, durante evento da Unicamp

“Resistam!” Este foi o conselho, em uma palavra, dado pelo ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2005, Richard Schrock, aos acadêmicos brasileiros que se vejam pressionados a fazer pesquisa aplicada, sob o argumento de que é preciso suprir um papel no desenvolvimento econômico que não vem sendo desempenhado pelas grandes empresas.

“Na verdade, deve haver três áreas”, explicou Schrock, em entrevista a Inovação Unicamp. “Os acadêmicos, as indústrias e um intermediário. Pessoas de espírito empreendedor, companhias start-up, possivelmente pessoas que venham da academia, que fazem descobertas e fundam empresas. São essas companhias que podem ser úteis para a indústria”.

“A indústria não deve dizer aos acadêmicos o que fazer, isso é loucura”, enfatizou Schrock, que dividiu o Nobel de 2005 com Yves Chauvin e Robert Grubbs, pelo desenvolvimento de uma reação, em química orgânica, que encontrou ampla aplicação em processos industriais, tanto na produção de fármacos quanto em outras áreas. “Nós na academia decidimos fazer o que é mais interessante para nós, não para eles”.

O pesquisador reconheceu, no entanto, que a pressão para que a universidade encontre soluções rápidas para problemas atuais existe em várias partes do mundo. “Mas esta não me parece a melhor maneira de obter sucesso”, ponderou. “Porque isso é só apagar incêndios, não é fazer progresso. Então, o que eu digo é, resistam!”

 

Indústria

Schrock, que trabalhou na gigante química DuPont, traçou o que chamou de uma distinção “honesta” entre o trabalho de um pesquisador acadêmico e de um cientista contratado pela indústria: “Companhias querem fazer dinheiro. Esta é a razão de ser delas. Na academia, faz-se ciência porque se acredita que essa é a coisa mais importante. Que avançar as fronteiras da ciência é o mais importante”.

O pesquisador fez a ressalva de que “muita coisa boa acontece na indústria”, mas lamentou o fim dos grandes laboratórios de ciência básica mantidos por corporações. “Eles não existem mais”, declarou, acrescentando que não vê, na passagem por um grande centro industrial, uma etapa “fundamental” na formação de um cientista.

“A ciência acadêmica oferece uma experiência de aprendizado mais forte que a ciência industrial”, disse.

Entre as consequências de ter ganhado o Nobel, Schrock mencionou o fato de estar “viajando muito”. “As pessoas reconhecem meu nome, minha imagem, e tive a oportunidade de fazer coisas que não tinha tido antes, o que foi uma boa mudança”. Ele disse, no entanto, que as verbas para pesquisa continuam as mesmas.

 

Ensino e pesquisa

Outro ganhador do Nobel de Química, Ei-ichi Neghishi, premiado em 2010, disse à Inovação Unicamp que é preciso tomar cuidado para que a universidade não descuide do que, para ele, é sua principal função – o ensino.

“A melhor colaboração que a universidade pode dar ao país é a formação das mentes da nova geração”, declarou. “Sem cabeças bem treinadas, não há como haver desenvolvimento, nem mesmo na indústria. Essas cabeças têm de começar, têm de vir da universidade”.

O pesquisador acrescentou, porém, que em sua visão as universidades precisam receber algum tipo de orientação externa. “Conheço muito bem a situação japonesa”, disse.

“Em minha opinião, as universidades lá não atuaram na área de pesquisa tão bem quando poderiam, ou deveriam. Como todas as organizações, as universidades pedem dinheiro, recebem dinheiro, e as coisas acabam crescendo além de um certo nível”, ponderou.

Richard Schrock e Ei-ichi Negishi estiveram no Brasil para participar da Escola Avançada de Química, realizada entre 14 e 18 de agosto na Unicamp Negishi disse que o Japão está, atualmente, reduzindo o número de suas universidades dedicadas à pesquisa, de 100 para 30. “Não sei se 30 é um bom número. Parece-me uma redução drástica”, afirmou, mesmo reconhecendo que um ajuste no sistema japonês era, provavelmente, necessário.

 

Desafio

Para Negishi, o principal desafio atual de sua área de pesquisa – o desenvolvimento de catalisadores para reações orgânicas – está na busca por um meio de capturar gás carbônico da atmosfera e reaproveitá-lo como matéria-prima.

“As plantas fazem isso”, disse ele. “Usam a luz do sol para converter CO2 em matéria vegetal, que depois as vacas comem, e transformam, por exemplo, em leite. Talvez seja possível não precisarmos mais desses estágios intermediários, as plantas e as vacas”, exemplificou. Em sua opinião, o gás carbônico – cuja concentração na atmosfera, hoje, é tida como principal causa da mudança climática – é um recurso valioso, à espera apenas de um processo químico eficiente para ser aproveitado.

Tendo recebido o Nobel há menos de um ano, o cientista disse que gostaria de voltar para sua vida normal, mas que “ainda tenho que dar o que outras pessoas e outros países esperam, até um certo ponto”.

Tanto Schrock quanto Negishi estiveram no Brasil para participar da Escola Avançada de Química, realizada entre 14 e 18 de setembro na Unicamp. Também vieram para a Escola outros dois ganhadores do Nobel de Química, Ada Yonath (2009) e Kurt Wüthrich (2002), além de outros importantes pesquisadores do Brasil e do mundo.

Fleury abre chamada de propostas

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Agência FAPESP – O Grupo Fleury abriu chamada pública para envio de propostas de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico na área de medicina e saúde. O prazo para inscrições se encerra em 19 de setembro.

A chamada se destina a pesquisadores que estejam vinculados a universidades ou centros de pesquisa, públicos ou privados, no Brasil ou no exterior.

Ao todo, serão disponibilizados R$ 5 milhões. Cada proposta, no entanto, poderá pleitear um valor máximo de até R$ 500 mil e os projetos deverão ter, obrigatoriamente, pelo menos um pesquisador do Fleury como participante ativo.

As propostas selecionadas receberão recursos financeiros subvencionados pelo Grupo Fleury, com incentivo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

As propostas devem integrar ao menos uma das seis áreas temáticas de pesquisa previamente definidas: medicina personalizada; integração dos conhecimentos de fisiopatologia e patogênese molecular no desenvolvimento de intervenções diagnósticas e terapêuticas; aplicações em medicina e saúde dos métodos de última geração em genômica, proteômica e metabolômica; desenvolvimento de novas soluções em diagnóstico por imagem; estudos epidemiológicos sobre o uso racional de recursos diagnósticos concorrentes ou complementares e integração de plataformas tecnológicas e metodológicas em medicina e saúde.

Os projetos aprovados poderão utilizar o recurso para aquisição de material de consumo, compra de softwares, serviços de terceiros, cobertura de custos de testes diagnósticos que integram o portfólio de produtos da empresa, despesas com patentes e proteção de propriedade intelectual e em despesas para introdução pioneira do produto, processo ou serviço no mercado.

Mais informações: www.fleury.com.br/Publico/Medicos/Noticias/Pages/projetos-cooperativos-de-pesquisa-e-desenvolvimento-tecnologico.aspx

Avanços e desafios

sábado, julho 9th, 2011

Por Fabrício Marques

Revista Pesquisa FAPESP – O panorama da ciência, da tecnologia e da inovação no Estado de São Paulo sofreu transformações nos anos recentes, com a ampliação, por exemplo, do esforço das empresas em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Em 2008 o setor privado paulista empregava 53% dos pesquisadores em atividade no estado, ante 45% em 1995.

A contribuição de São Paulo para a produção mundial de ciência também avançou, passando de 0,82% em 2002 para 0,94% em 2006, resultado de um crescimento de 41,4% do número de artigos científicos publicados em revistas indexadas no período. A taxa de analfabetismo caiu de 6,6% para 5% no estado entre 1998 e 2006, embora os índices que medem a qualidade do ensino básico tenham evoluído pouco.

Nas universidades nunca houve tantas vagas oferecidas, sobretudo no setor privado, onde faltam candidatos para preenchê-las. O resultado é um elevado aproveitamento de egressos do ensino médio pelas universidades, maior que o de muitas nações desenvolvidas: de 81% em São Paulo e de 71% no Brasil, além de uma inesperada taxa de concluintes do ensino superior que, no Brasil, é maior que a de países como Argentina, México e Chile, e, em São Paulo, é maior que a da Espanha.

Tais índices são alguns dos destaques da nova edição dos Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo – 2010, que a FAPESP lança no próximo mês, uma radiografia detalhada do avanço de P&D no estado de São Paulo nos últimos anos.

Composta por 12 capítulos, a obra tem quase 900 páginas. É a terceira vez que a FAPESP lança os Indicadores, um programa que responde a um dos objetivos da Fundação que é o de “promover periodicamente estudos sobre o estado geral da pesquisa em São Paulo e no Brasil, identificando os campos que devam receber prioridade de fomento”, como está descrito nos seus estatutos.

“É nesse contexto que se insere a publicação destes Indicadores, que se constituem instrumento de grande valia para formular e avaliar as políticas públicas relativas à ciência e à pesquisa tecnológica”, escreveu o presidente da FAPESP, Celso Lafer, na apresentação da obra.

“Uma equipe de 69 especialistas, entre coordenadores, pesquisadores e auxiliares de pesquisa, fez um trabalho excepcional, levantando e qualificando cuidadosamente os dados usados a partir de fontes frequentemente heterogêneas, e realizando um trabalho analítico detalhado e preciso”, diz o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz. “Cada capítulo foi lido e criticado pelos 36 assessores técnicos e debatido em sucessivas versões com a equipe de coordenação executiva, liderada pelo professor Wilson Suzigan”, completa.

Cálculos feitos pelos pesquisadores mostram, no capítulo 3, que o dispêndio total em P&D em São Paulo atingiu, em 2008, R$ 15,5 bilhões, o equivalente a 1,52% do PIB estadual. Esse percentual é superior ao de países como Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, China e Índia, e de todos os países da América Latina, mas inferior ao de Canadá, Reino Unido, França, Taiwan, e à média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 2,3% do PIB regional.

O dispêndio total do Brasil chegou a R$ 34,2 bilhões em 2008, com intensidade de 1,14% do PIB. A maior parte (63%) dos investimentos no Estado de São Paulo foi realizada pelo setor privado.

“Esse é mais um traço marcante da economia paulista, mais industrializada do que a de outras unidades da federação, tendo as empresas na liderança do esforço de investimento em P&D”, informa o capítulo 3, escrito sob a coordenação de Carlos Henrique de Brito Cruz e dos economistas José Roberto Rodrigues Afonso, do BNDES, e Sinésio Pires Ferreira, da Fundação Seade.

A composição dos gastos em P&D em São Paulo se distingue da de outros estados e da média brasileira. Apenas 13% desses dispêndios em São Paulo têm origem federal, enquanto nos demais estados a parcela chega a 53%. Já o dispêndio do governo estadual em São Paulo chega a 24%, ante 8,4% no conjunto das demais unidades da federação.

Por fim, o gasto privado equivale a 63% do total em São Paulo, ante 38% nos outros estados. A tendência vem se acentuando. O dispêndio empresarial paulista cresceu 37% em 2008 em comparação a 1995, em valor real (corrigido pelo IGP-DI). No mesmo período, o dispêndio do governo estadual cresceu 47%, enquanto o federal avançou apenas 3%.

Indicador de mudança

O Estado de São Paulo contava com quase 63 mil pesquisadores em 2008, contingente 66% maior do que o estimado para 1995. Uma novidade é a ampliação das oportunidades de trabalho no setor privado. Embora as instituições de ensino superior abriguem grande parte desse contingente (42%), foi o número de pesquisadores empregados em empresas que mais cresceu no período (96%), fazendo sua participação no total passar de 45% em 1995 (com 17.133 pesquisadores) para 53% em 2008 (com 33.528).

“A constatação de que as próprias empresas estão ampliando seus contingentes de pesquisadores é, em si, indicador de mudança importante do comportamento empresarial, que, ao que tudo indica, começa a considerar inovação tecnológica como elemento importante de suas estratégias de concorrência e crescimento”, informa o texto.

Considerando o número de pesquisadores por milhão de habitantes, a situação de São Paulo é ligeiramente superior à da China, Argentina, México e do total do Brasil, mas é inferior à de nações com os quais o país precisa competir, caso da Espanha, Rússia e Coreia do Sul. “É fundamental uma estratégia para que o número de pesquisadores no Estado de São Paulo aumente substancialmente nos próximos anos. (…) Para o caso do Brasil, o desafio é maior ainda”, conclui.

Em 2006, 28% dos 21,4 milhões de brasileiros com elevado nível de qualificação residiam em São Paulo. Os números, embora respeitáveis, perdem parte do brilho quando são relacionados à população economicamente ativa: 20,4% para o Brasil e 25,2% para São Paulo.

Na Espanha, por exemplo, essa parcela chega a 37,6%. Curiosamente, tanto no Brasil quanto no Estado de São Paulo o número de pessoas em ocupações com elevada qualificação era bem maior que o de pessoas com nível superior, o que indica um déficit educacional da força de trabalho mais qualificada.

“Ao mesmo tempo, notou-se que parcela expressiva dos indivíduos com nível de escolaridade superior insere-se em ocupações com exigências de qualificação aparentemente inferiores à adquirida em sua formação escolar. Ou seja, está-se diante de um aparente paradoxo: há cada vez mais pessoas tituladas no ensino superior, mas, em simultâneo, há carência de profissionais qualificados”, observa o estudo.

Leia o texto completo em: www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=4477&bd=1&pg=1&lg=

Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada

quinta-feira, junho 16th, 2011

Agência FAPESP – A nova Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação (FPPI) foi lançada nesta quarta-feira (15/6), no Senado Federal. Composto por mais de 200 parlamentares de todo o país, o grupo tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento da legislação federal com foco na Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), assim como promover a alocação de recursos orçamentários para o setor.

A Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica Industrial (Abipti) responderá pela secretaria executiva da frente, que será coordenada pelo deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG). A Abipti representa mais de 200 entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

A FPPI será uma associação suprapartidária com pelo menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre pesquisa e inovação. Um dos objetivos é que a instância se estabeleça como um canal permanente de comunicação com as organizações do setor.

A frente organizará a agenda legislativa da pesquisa e da inovação e buscará promover e intervir no desenvolvimento de políticas públicas, visando o fortalecimento da pesquisa e maior desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

Outras atribuições da FPPI serão a manutenção de um canal permanente de comunicação com as organizações que formam a cadeia brasileira de pesquisa e inovação; o fortalecimento e a consolidação da presença e do posicionamento dessas entidades no Congresso Nacional; e a promoção da alocação de recursos orçamentários e financeiros para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Mais informações: frentepesquisaeinovacao@hotmail.com

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