Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

Posts Tagged ‘Nanotecnologia’

Nanotecnologias: da ciência ao mundo dos negócios

terça-feira, setembro 27th, 2011

Agência FAPESP – O Workshop Nanotecnologias: da ciência ao mundo dos negócios será realizado no dia 3 de outubro, em São Bernardo do Campo (SP).

O evento tem por objetivo estimular a interação entre empresas e a comunidade acadêmica na área de nanotecnologia e é voltado a pesquisadores, empresários de inovação e nanotecnologia, além de estudantes de áreas afins.

A promoção é dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A programação do encontro inclui, durante a manhã, apresentações de painéis em que serão debatidos gargalos, demandas e recomendações de cientistas sobre a pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia.

No período da tarde serão realizadas cinco discussões simultâneas em áreas temáticas, com participação de pesquisadores de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e de redes de cooperação de pesquisa em nanotecnologia.

Mais informações e inscrições: workshopnano.abdi.com.br

Brasil sediará novo centro binacional de nanotecnologia

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Agência FAPESP – O governo brasileiro formalizou no dia 22 de agosto uma parceria com a China visando à criação de um centro binacional de nanotecnologia.

O Centro Brasil-China de Nanotecnologia terá como foco o desenvolvimento de dispositivos e processos de uso civil em escala nanométrica.

Inicialmente, o novo órgão funcionará por meio de uma rede virtual de pesquisadores e intercâmbios entre os dois países.

Com um orçamento inicial de US$ 3 milhões – cerca de R$ 4,8 milhões –, o centro tem como membros a Academia Chinesa de Ciências (do lado chinês), o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) – localizado em Campinas (SP) e que funcionará como centro de operações e sede do órgão binacional –, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Carbono (INCT-Carbono) – sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) –, e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Mais informações: portal.cbpf.br

Brasil e China criarão centro de nanotecnologia em SP

sexta-feira, agosto 5th, 2011
André Magnabosco

SÃO PAULO – O governo brasileiro assinará no fim deste mês um acordo com a Academia Chinesa de Ciências para a construção de um centro de nanotecnologia em Campinas (SP), na Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS). De acordo com o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o projeto demandará investimentos iniciais de R$ 10 milhões, a serem aportados igualitariamente pelos parceiros para a construção da unidade.

Durante viagem ao continente asiático prevista para o final deste mês, Mercadante também deve formalizar outras parcerias com a China. Entre elas está o envio de 200 doutores, estudantes de doutorado e pós-doutores para os centros de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências. Eles devem participar principalmente de pesquisas nas áreas de nanotecnologia, pesquisas espaciais, energias limpas e biotecnologia. “São áreas que damos prioridade no relacionamento com os chineses”, afirmou o ministro, que participou hoje do 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O governo brasileiro também pretende oficializar com os chineses acordos na área de tecnologia da informação, especialmente computação em nuvem, e na área de energias fotovoltaicas, solares e eólicas. “Já acertamos um amplo programa de colaboração com a Academia Chinesa de Ciências, além de outros que já tínhamos estabelecido”, afirmou Mercadante, após reunião com o presidente da entidade chinesa.

Com a assinatura dos novos acordos, o Brasil também estreitará a relação com a China no âmbito de pesquisas espaciais. Os países já são parceiros no lançamento de satélites, caso do Sibers 3, previsto para 2012. “Vamos expandir nossa parceria na área espacial com a China, agora não só com a agência espacial chinesa, mas também com a Academia Chinesa de Ciências”, disse. Outro acordo a ser detalhado na viagem à Ásia seria a assinatura de um entendimento na área de pesquisas sobre mudanças climáticas e prevenção de desastres naturais.

Mercadante também deverá abordar durante a viagem a preocupação do governo brasileiro em estimular a produção de equipamentos como semicondutores, tablets e notebooks em território nacional. Entre os encontros previstos, revelou Mercadante, estão visitas à Samsung e à LG.

O projeto da Foxconn de construir uma fábrica no Brasil também poderá ser tema de conversações. Segundo o ministro, a previsão é de que a produção na unidade instalada no interior de São Paulo tenha início no próximo mês. “A produção do iPhone deve ser iniciada em setembro e, logo a seguir, a de iPad”, disse Mercadante.

Superplásticos naturais

sábado, abril 16th, 2011

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – De resíduos agroindustriais saem fibras que poderão dar origem a uma nova geração de superplásticos. Mais leves, resistentes e ecologicamente corretos do que os polímeros convencionais utilizados industrialmente, as alternativas vêm sendo pesquisadas pelo grupo coordenado pelo professor Alcides Lopes Leão na Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Botucatu.

Obtidas de resíduos de cultivares como o curauá (Ananas erectifolius) – planta amazônica da mesma família do abacaxi –, além da banana, casca de coco, sisal, o próprio abacaxi, madeira e resíduos da fabricação de celulose, as fibras naturais começaram a ser estudadas em escalas de centímetros e milímetros pelo professor Lopes Leão e colegas no início da década de 1990.

Ao testá-las nos últimos dois anos em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro), os pesquisadores descobriram que as fibras apresentam resistência similar às fibras de carbono e de vidro. E, por isso, podem substituí-las como matérias-primas para a fabricação de plásticos. O resultado são materiais mais fortes e duráveis e com a vantagem de, diferentemente dos plásticos convencionais originados do petróleo e de gás natural, serem totalmente renováveis.

“As propriedades mecânicas dessas fibras em escala nanométrica aumentam enormemente. A peça feita com esse tipo de material se torna 30 vezes mais leve e entre três e quatro vezes mais resistente”, disse Lopes Leão à Agência FAPESP.

Em testes realizados pelo grupo por meio de um acordo de pesquisa com a Braskem, em que foi adicionado 0,2% de nanofibra ao polipropileno fabricado pela empresa, o material apresentou aumento de resistência de mais de 50%.

Já em ensaios realizados com plástico injetável utilizado na fabricação de para-choques, painéis internos e laterais e protetor de cárter de automóveis, em que foi adicionado entre 0,2% e 1,2% de nanofibras, as peças apresentaram maior resistência e leveza do que as encontradas no mercado atualmente, segundo o cientista.

“Em todas as peças utilizadas pela indústria automobilística à base de polipropileno injetado nós substituímos a fibra de vidro pela nanocelulose e obtivemos melhora das propriedades”, afirmou.

Além do aumento na segurança, os plásticos feitos de nanofibras possibilitam reduzir o peso do veículo e aumentar a economia de combustível. Também apresentam maior resistência a danos causados pelo calor e por derramamento de líquidos, como a gasolina.

“Por enquanto, estamos focando a aplicação das nanofibras na substituição dos plásticos automotivos. Mas, no futuro, poderemos substituir peças que hoje são feitas de aço ou alumínio por esses materiais”, disse Lopes Leão.

Por meio de um projeto apoiado por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP, a fibra de curauá passou a ser utilizada no teto, na parte interna das portas e na tampa de compartimento da bagagem dos automóveis Fox e Polo, fabricados pela Volkswagen.

Outras indústrias automobilísticas já manifestaram interesse pela tecnologia, segundo Lopes Leão. Entre elas está uma empresa indiana, cujo nome não foi revelado, que tomou conhecimento da pesquisa após ela ser apresentada no 241º Encontro e Exposição Nacional da Sociedade Norte-Americana de Química (ACS, na sigla em inglês), que ocorreu no final de março em Anaheim, nos Estados Unidos.

Fibras mais promissoras

Segundo o coordenador da pesquisa, além da indústria automobilística as nanofibras podem ser aplicadas em outros setores, como o de materiais médicos e odontológicos.

Em um projeto realizado em parceria com a Faculdade de Odontologia da Unesp de Araraquara, os pesquisadores pretendem substituir o titânio utilizado na fabricação de pinos metálicos para implantes dentários pelas nanofibras.

Em outro projeto desenvolvido com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, o grupo utiliza as nanofibras para desenvolver membranas de celulose bacteriana vegetal.

Em testes de biocompatibilidade in vivo, realizados com ratos, os animais sobreviveram por seis meses com o material. “Nenhuma pesquisa do tipo tinha conseguido atingir, até então, esse resultado”, afirmou Lopes Leão.

Por meio de outros projetos financiados pela FAPESP, o grupo da Unesp também está estudando a utilização de fibras naturais para o desenvolvimento de compósitos reforçados e para o tratamento de águas poluídas por óleo.

De acordo com o coordenador, entre as fibras de plantas, as do abacaxi são as que apresentam maior resistência e vocação para serem utilizadas na fabricação de bioplásticos.

Dos materiais, o mais promissor é o lodo da celulose de papel, um resíduo do processo de fabricação que as indústrias costumam descartar em enormes quantidades e com grandes custos financeiros e ambientais em aterros sanitários.

Para utilizar esse resíduo como fonte de nanofibras, Lopes Leão pretende iniciar um projeto de pesquisa com a fabricante de papel Fibria em que o lodo da celulose produzido pela empresa seria transformado em um produto comercial. “É muito mais simples extrair as nanofibras desse material do que da madeira, porque ele já está limpo e tratado pelas fábricas de papel”, disse.

Para preparar as nanofibras, os cientistas desenvolveram um método em que colocam as folhas e caules de abacaxi ou das demais plantas em um equipamento parecido com uma panela de pressão.

O “molho” resultado dessa mistura é formado por um conjunto de compostos químicos e o cozimento é feito em vários ciclos, até produzir um material fino, parecido com o talco. Um quilograma do material pode produzir 100 quilogramas de plásticos leves e super-reforçados.

São Paulo sobe 21 posições em ranking de produção científica

sábado, abril 2nd, 2011

Notícia publicada pela BBC Brasil em 29/03/2011 e reproduzida no Estadao.com.br.

(O download do relatório ao qual a notícia se refere pode ser feito no site da Royal Society, clicando aqui.)

Um relatório divulgado na Grã-Bretanha diz que São Paulo subiu da posição 38 para o 17º lugar em um ranking de cidades com mais publicações científicas no mundo.

De acordo com o estudo feito pela Royal Society, a academia nacional de ciência britânica, a evolução da capital paulista nesse setor “reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira”.

O relatório, chamado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21, analisa a publicação de trabalhos científicos por país no período entre 1996 e 2008.

O documento indica que o Brasil e outros países emergentes, liderados pela China, estão despontando como grandes potências na área de produção de estudos científicos, capazes de rivalizar com países que têm tradição nessa área, como os Estados Unidos, nações da Europa Ocidental e o Japão.

A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6.

Mas “as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações”, diz o relatório. Em meio aos cortes de R$ 50 bilhões anunciados pelo governo no orçamento federal, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão.

China

Segundo o levantamento, o desempenho da China é ”particularmente notável” – a publicação de documentos científicos do país superou as do Japão e da Europa nos últimos anos.

O país asiático só é ultrapassado pelos Estados Unidos, mas deve superá-los antes de 2020, se a atual tendência continuar.

Em 1996, os Estados Unidos tinham produção científica dez vezes maior que a chinesa; hoje, sua produção, com crescimento menor, não chega a ser o dobro da do país asiático.

No entanto, o relatório diz que ”ainda demorará algum tempo para que a produção dessas nações emergentes esteja à altura de ser uma referência para a comunidade científica internacional”, ressalta a pesquisa.

Áreas específicas

O estudo diz que há avanços em áreas específicas da ciência em alguns países, entre eles o Brasil.

”Existe diversificação de alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnolgia, e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações.”

A pesquisa também identificou nações emergentes no campo da ciência que não costumam ser associadas a uma base científica forte, como o Irã, a Tunísia e a Turquia.

As projeções feitas pelo relatório “sugerem que o sistema científico global está se desvencilhando de seu padrão anterior”.

“China e Coreia do Sul cumprem com suas ambiciosas metas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, enquanto economias como Brasil e Rússia também prometem recursos substancialmente maiores para pesquisas.”

Com isso, é possível que nações emergentes – Brasil incluído – superem os investimentos de países como Japão e França no setor.