Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Inovação na América Latina

domingo, julho 17th, 2011

O Estado de São Paulo – 15/07/2011

Ao avaliar de acordo com novos critérios a evolução do processo de inovação na América Latina, o Insead, uma das principais escolas de negócios da Europa, chegou a conclusões animadoras e até surpreendentes. Em relatório que publica anualmente, em parceria com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), uma agência especializada da Organização das Nações Unidas, o Insead apontou uma notável evolução do Brasil no Indicador Global de Inovação (GII, na sigla em inglês). Entre 125 países analisados, o Brasil ocupa o 47.º lugar, 21 posições à frente da classificação obtida no relatório de 2010, e agora à frente da Rússia e da Índia. De acordo com o estudo do Insead e da Ompi, o Brasil cria muito com poucos recursos e, por isso, no quesito da eficiência dos governos em inovação e criatividade está em 7.º lugar, à frente das principais economias industrializadas.

No capítulo sobre os avanços recentes da América Latina no campo da inovação – isto é, o desenvolvimento de novos produtos, mudanças nos processos produtivos, métodos de marketing e evolução do ambiente econômico e do modelo de negócios -, o relatório afirma que o tema passou a ocupar uma posição destacada entre as principais preocupações dos governantes e dos dirigentes das empresas. O ambiente político e econômico da região ficou mais favorável para a atividade produtiva e para a inovação, em razão da adoção de políticas fiscais mais rigorosas e claras e, depois da crise global, de medidas que evitaram a estagnação econômica.

Sem deixar de considerar na devida proporção elementos conhecidos e essenciais para aferir o grau de inovação nas economias nacionais e nas empresas – como os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o número de patentes requeridas e registradas anualmente, a participação dos produtos de alta tecnologia na pauta de exportações de um país e a produtividade média da economia, entre outros -, o relatório do Insead/Ompi leva em conta outros fatores de grande relevância na América Latina.

Um deles é a inovação num país com abundantes recursos naturais. O exemplo de política pública eficiente nessas condições, citado pelo relatório, é o trabalho da Embrapa, que tem estimulado o cultivo das variedades mais adequadas a cada região do País. Outra política destacada pelo Insead e pela Ompi é a formação de nichos tecnológicos com apoio público ou privado, como os arranjos produtivos locais estimulados pelo Sebrae. Na inovação voltada para a preservação ambiental, o relatório cita o desenvolvimento do etanol no Brasil, que transformou a América Latina na segunda maior região produtora de biocombustível do mundo.

O relatório observa que, para melhorar sua posição no mundo, a América Latina precisa melhorar seu capital humano – pesquisadores, empreendedores, gerentes, empregados, fornecedores e clientes -, melhorando o sistema de educação formal em todos os níveis e o treinamento e retreinamento da mão de obra.

Os governos precisam assegurar ambiente adequado para a produção e a inovação, oferecer condições adequadas para o desenvolvimento da pesquisa científica e garantir a estabilidade das regras para a atividade econômica e a infraestrutura necessária, inclusive por meio de uma rede ampla de internet de alta velocidade. É preciso, também, que haja fonte de financiamentos para as empresas empreendedoras.

São condições conhecidas há muito tempo, mas que o Brasil ainda não consegue oferecer. Dos 125 países examinados, o Brasil ocupa a 95.ª posição no que se refere à qualidade do sistema de ensino superior. Quanto a ambiente para a realização de negócios, a posição brasileira é ainda pior: 118.ª. Além de ter uma carga tributária classificada entre as 5 piores entre os 125 países, o Brasil é o penúltimo em termos de rapidez na abertura de novos negócios. Tudo isso tem muito a ver com a ação do poder público.

Por isso, o avanço do Brasil no campo da inovação depende muito mais do governo do que do setor privado.

País sobe em ranking de inovação

sexta-feira, julho 1st, 2011

Jornal Valor Econômico

Luciano Máximo | De São Paulo

O Brasil subiu 13 posições no Indicador Global de Inovação 2011 (The Global Innovation Index), calculado todos os anos pelo Insead, uma das principais escolas de negócios da Europa, em parceria com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Wipo, da sigla em inglês), agência vinculada à ONU. O levantamento, divulgado ontem em Paris, mostra que o país saiu do 60º lugar do ranking de 2010 para o 47º este ano.
Com o resultado, o Brasil está atrás de países como Chile, Costa Rica e Portugal, mas à frente de Rússia, Índia e Argentina. A Suíça ganhou três posições e assumiu a liderança, seguida por Suécia e Singapura na 2ª e 3ª colocações, respectivamente. A China foi o único país representante dos Brics a figurar no top ten, ficando com o 4º lugar. Finlândia (5º), Dinamarca (6º), Estados Unidos (7º), Canadá (8º), Holanda (9º) e Reino Unido (10º) fecham a lista dos dez países com melhor ambiente para o desenvolvimento de inovação do mundo.
O Global Innovation Index é construído com base em mais de 50 variáveis divididas em sete grandes blocos: Instituições (ambientes político e regulatório), Capital Intelectual e Pesquisa (indicadores de educação básica e superior), Infraestrutura (energia), Sofisticação de Mercado (acesso a crédito, mercado de capitais, comércio exterior), Sofisticação de Negócios (conhecimento dos profissionais, colaboração entre indústria e universidade), Produção Científica (computador por habitante, capacidade de geração de patentes) e Produção Criativa (consumo de produtos culturais e de lazer, produção de filmes).