Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Avanço negligenciado

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Fapesp publica matéria sobre a falta de interesse da indústria farmacêutica em investir nos avanços que vêm sendo alcançados no tratamento da Doença de Chagas, considerada uma doença negligenciada. Em 16/05/2011, o Prof. José Carvalheiro (Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e Fundação Oswaldo Cruz) apresentou um seminário no Observatório sobre o tema (assista e veja os slides apresentados aqui: “Inovação em Doenças Negligenciadas“).

Avanço negligenciado

Por Fábio de Castro, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – Uma série de projetos de pesquisa iniciada em 1994, com apoio da FAPESP, tem conseguido avanços importantes na vacinação contra a doença de Chagas, culminando com a cura inédita de camundongos altamente suscetíveis por meio de uma tecnologia de vacina de DNA.

No entanto, de acordo com o coordenador dos projetos Maurício Martins Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ainda não há perspectiva para a realização de testes clínicos, devido à falta de interesse da indústria. A doença de Chagas é considerada uma doença negligenciada.

O protocolo de vacinação utilizado envolve a indução de células T do tipo CD8 contra um antígeno do Trypanosoma cruzi: uma proteína da superfície do amastigoto, que é o parasita em seu estágio intracelular. As células T são glóbulos brancos envolvidos com a resposta imune a tumores e agentes infecciosos.

Rodrigues apresentou o modelo nesta quinta-feira (25/08), durante a 26ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), no Rio de Janeiro.

Segundo Rodrigues, os projetos de pesquisa têm gerado inúmeros trabalhos, teses, reagentes e patentes, que são importantes para o possível desenvolvimento para uma vacina contra a doença de Chagas. O problema é que, por ser uma doença negligenciada, não tem havido interesse explícito de nenhuma companhia em gerar um produto a partir daí.

“A atual situação é que geramos todos os vetores, as proteínas recombinantes de resultados experimentais em animais, obtivemos as patentes e precisávamos agora de algum tipo de contato com empresas interessadas em produzir esse tipo de vacina. Nessa fase da pesquisa, esse interesse já teria se manifestado se não se tratasse de doença de Chagas”, disse à Agência FAPESP.

Rodrigues compara a situação dos projetos sobre doença de Chagas com seus próprios projetos que utilizam os mesmos modelos para estudar a malária. Ele coordena atualmente o Projeto Temático “Geração e análise da imunogenicidade de proteínas recombinantes baseadas nas diferentes formad do antígeno circumsporozoíta de Plasmodium vivax visando o desenvolvimento de uma vacina universal contra a malária”, financiado pela FAPESP.

“Na área de vacinação contra a malária trabalhamos com a mesma estratégia, só que utilizamos uma proteína recombinante, em vez de DNA plasmodial. Nesse projeto, conseguimos uma patente internacional de alto nível para a vacina e estamos o tempo todo recebendo contatos de empresas com interesse em desenvolver algum tipo de produto. Isso jamais ocorreu com o projeto sobre a doença de Chagas”, disse.

A produção de conhecimento sobre o tema da doença de Chagas, no entanto, é de extrema importância, ainda que a indústria não se interesse, segundo Rodrigues. “Tudo o que fazemos em doença de Chagas é absolutamente aplicável a outras doenças, inclusive malária, tuberculose ou o HIV”, afirmou.

De acordo com Rodrigues, os protocolos utilizados mostraram extrema eficiência. Segundo ele, ao ter contato com o Trypanosoma cruzi, o indivíduo infectado desenvolve parasitemia, que caracteriza a fase aguda da doença. À medida que os anticorpos começam a agir, a parasitemia diminui e a doença entra na fase crônica, que pode durar pelo resto da vida, em um equilíbrio que mantém vivos parasita e hospedeiro.

“Entretanto, alguns camundongos são altamente suscetíveis e não têm essa diminuição da parasitemia, morrendo ainda na fase aguda da doença. O protocolo que utilizamos induziu a uma imunidade de longa duração e conseguiu, pela primeira vez, curar esse tipo de animal da doença de Chagas”, explicou.

Fonte de novos medicamentos

quinta-feira, junho 16th, 2011

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Em 1928, o inglês Alexander Fleming (1881-1955) descobriu acidentalmente em uma placa de cultura esquecida em seu laboratório um fungo, o Penicillium notatum, que exterminava bactérias patogênicas como o Staphylococcus aureus.

Passados exatos 83 anos da descoberta do composto, considerado um dos mais importantes utilizados até hoje no tratamento de doenças e que iniciou a chamada “era dos antibióticos”, as indústrias farmacêuticas atravessam uma crise de criatividade no desenvolvimento de moléculas bioativas inovadoras, que possam ser utilizadas como fármacos eficazes para o tratamento de novas e antigas doenças.

A análise foi feita por Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na palestra que proferiu no encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011 sobre “Química medicinal: desafios e perspectivas”, realizado em 8 de junho, no auditório da FAPESP.

Segundo ele, em 2010 as indústrias farmacêuticas lançaram 15 moléculas bioativas contra 39 introduzidas no mercado em 1997. “Em função dessa crise de criatividade, as empresas farmacêuticas, que faturaram US$ 850 bilhões em 2010 em todo o mundo e investiram 10% desse valor em pesquisa, desenvolvimento e inovação, voltam seus olhares para as moléculas desenvolvidas nas universidades, que podem ser mais capazes de inovar em química medicinal do que os bem equipados laboratórios industriais”, disse.

Para Barreiro, as moléculas bioativas mais inovadoras surgidas nas últimas décadas foram desenvolvidas nos laboratórios das indústrias farmacêuticas mas com base no conhecimento produzido em universidades e centros de pesquisa.

O exemplo mais emblemático, de acordo com o cientista, é do cloridato de propranolol. O primeiro betabloqueador seguro para uso humano, que revolucionou o tratamento da hipertensão, foi desenvolvido pelo escocês James Black no fim nos anos 1950 com base na aplicação de conhecimentos formulados pelos alemães Hermann Emil Fischer e Paul Ehrlich.

Fischer e Ehrlich foram pioneiros na formulação da ideia de que cada molécula tinha um biorreceptor – um alvo específico para uma doença. Com base nisso, Black desenvolveu um molécula quimicamente simples, mas eficiente no tratamento de doenças coronárias e seus sintomas

“A descoberta dessa molécula por Black estimulou outros cientistas a ampliar a família de betabloqueadores. E, hoje, praticamente todas as empresas farmacêuticas presentes no mercado mundial têm um betabloqueador em seu portfólio de medicamentos”, disse Barreiro.

Além do propranolol, o professor da UFRJ citou como exemplos de inovação terapêuticas a cimetidina, também descoberta por Black em 1960 e que permitiu o controle da úlcera péptica; a sinvastatina, lançada em 1979 e voltada para redução dos níveis de colesterol; e o captropil, utilizado para o tratamento de hipertensão arterial, que foi desenvolvido com base em pesquisas brasileiras sobre peptídeos presentes no veneno da jararaca.

Compostos sintéticos

Coordenada por Heloisa Beraldo, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o ciclo de conferências sobre química medicinal contou também com a participação de Silvia Regina Roggato, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, e Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Dos 1.184 novas compostos químicos que entraram em fase de testes clínicos e se tornaram medicamentos nos últimos anos, 52% foram provenientes de produtos naturais”, destacou Dias. “Um deles é a atorvastatina, princípio ativo do medicamento mais vendido no mundo e o mais potente para a redução dos níveis de colesterol plasmático: o Lipitor.”

Lançado em 1985, o composto foi desenvolvido a partir de um produto natural, o fungo compactina. Por meio de modificações estruturais na molécula do produto natural utilizando ferramentas e subsídios da química medicinal, o pesquisador Bruce Roth, da indústria farmacêutica Pfizer, conseguiu criar uma estrutura da molécula com efeito terapêutico bem mais eficiente.

A patente da molécula, que é considerada o ácido carboxílico mais valioso do planeta, faturando US$ 13 bilhões em vendas, expira este ano no mercado norte-americano.

De olho nessa oportunidade, Dias e outros pesquisadores de seu grupo de pesquisa em síntese de produtos naturais bioativos no IQ, da Unicamp, conseguiram sintetizar no ano passado a molécula, por uma rota inédita, em uma escala de cerca de 1 grama.

“Conseguimos sintetizar essa molécula, que tem uma estrutura relativamente complexa, por uma nova rota que envolveu inovações incrementais e é diferente das que até então vinham sendo empregadas e descritas na literatura”, afirmou.

O desenvolvimento foi realizado no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-Inofar), sediado no Rio de Janeiro e coordenado por Barreiro, e do qual Dias e Beraldo são membros do comitê gestor.

De acordo com estimativas do setor farmacêutico, mais de 90% dos princípios ativos utilizados hoje no Brasil para a produção de medicamentos genéricos são provenientes de países como a Índia e China.

“A indústria farmoquímica brasileira usa esses insumos, muitas vezes impuros, fazem purificações, pequenas modificações estruturais, encapsulam e colocam no mercado. É assim que são produzidos os medicamentos genéricos no país hoje. E nós temos competência para sintetizar o princípio ativo não só de uma molécula como a atorvastatina, mas de outras moléculas mais simples e com impactos no Sistema Único de Saúde e no programa Farmácia Popular. E isso precisa ser incentivado”, destacou Dias.

O ciclo, promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).

O ciclo é coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de redação de Pesquisa FAPESP.

O próximo evento, com o tema “Biodiversidade & Química”, será realizado no dia 19 de julho, a partir das 13h30, no auditório da FAPESP. Mais informações: www.fapesp.br/eventos/aiq

Inovação em Doenças Negligenciadas

terça-feira, maio 17th, 2011

Slides do seminário apresentado pelo Prof. Dr. José Carvalheiro (Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e Fundação Oswaldo Cruz), sobre Inovação em Doenças Negligenciadas, realizada em 16/05/2011, no Observatório da Inovação e Competitividade. Para abrir o arquivo PDF, clique aqui.

Inovação em Doenças Negligenciadas

terça-feira, maio 17th, 2011

Vídeo da apresentação do Prof. Dr. José Carvalheiro (Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e Fundação Oswaldo Cruz), sobre Inovação em Doenças Negligenciadas, realizada em 16/05/2011, no Observatório da Inovação e Competitividade.

Os slides utilizados na apresentação encontram-se disponíveis em nossa Biblioteca e o arquivo PDF pode ser acessado diretamente clicando aqui.

Imagem de Amostra do You Tube

Atividades de pesquisa e desenvolvimento em saúde – uma preocupação da OMS

terça-feira, março 29th, 2011

Vídeo da apresentação realizada por Cláudia Chamas, pesquisadora da Fundação Fiocruz e da OMS, em 28/03/11 no Observatório da Inovação e Competitividade, com o tema “Financiamento e coordenação entre atividades de pesquisa e desenvolvimento em saúde, uma preocupação da OMS”.

Os slides utilizados na apresentação encontram-se disponíveis em nossa Biblioteca e o download pode ser feito diretamente clicando aqui.

Além disso, Cláudia Chamas indicou links complementares para quem estiver interessado em mais informações e estudos sobre o tema, que seguem abaixo:

Esta é a página da OMS que reúne toda a informação sobre inovação, saúde e propriedade intelectual, desde a comissão inicial em 2003: http://www.who.int/phi/en/

O trabalho atual do Consultative Expert Working Group on Research and Development: Financing and Coordination pode ser acompanhado nos sites:
http://www.who.int/phi/cewg_rdfc_nominations/en/index.html
e
http://www.who.int/phi/news/cewg_2011/en/index.html

Imagem de Amostra do You Tube

Atividades de pesquisa e desenvolvimento em saúde – uma preocupação da OMS

terça-feira, março 29th, 2011

Seminário apresentado por Cláudia Chamas no Observatório, em 28/03/2011. Para fazer download do arquivo, clique aqui.

Links complementares indicados pela pesquisadora:

Página da OMS que reúne toda a informação sobre inovação, saúde e propriedade intelectual, desde a comissão inicial em 2003:

http://www.who.int/phi/en/

O trabalho atual do Consultative Expert Working Group on Research and Development: Financing and Coordination pode ser acompanhado nos sites:

http://www.who.int/phi/cewg_rdfc_nominations/en/index.html

e

http://www.who.int/phi/news/cewg_2011/en/index.html