Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

Posts Tagged ‘Desenvolvimento’

Inovação deve surgir no espaço entre empresa e universidade, diz ganhador do Nobel

terça-feira, agosto 30th, 2011
Carlos Orsi

Antoninho Perri
Richard Schrock, nobelista de 2005, durante evento da Unicamp

“Resistam!” Este foi o conselho, em uma palavra, dado pelo ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2005, Richard Schrock, aos acadêmicos brasileiros que se vejam pressionados a fazer pesquisa aplicada, sob o argumento de que é preciso suprir um papel no desenvolvimento econômico que não vem sendo desempenhado pelas grandes empresas.

“Na verdade, deve haver três áreas”, explicou Schrock, em entrevista a Inovação Unicamp. “Os acadêmicos, as indústrias e um intermediário. Pessoas de espírito empreendedor, companhias start-up, possivelmente pessoas que venham da academia, que fazem descobertas e fundam empresas. São essas companhias que podem ser úteis para a indústria”.

“A indústria não deve dizer aos acadêmicos o que fazer, isso é loucura”, enfatizou Schrock, que dividiu o Nobel de 2005 com Yves Chauvin e Robert Grubbs, pelo desenvolvimento de uma reação, em química orgânica, que encontrou ampla aplicação em processos industriais, tanto na produção de fármacos quanto em outras áreas. “Nós na academia decidimos fazer o que é mais interessante para nós, não para eles”.

O pesquisador reconheceu, no entanto, que a pressão para que a universidade encontre soluções rápidas para problemas atuais existe em várias partes do mundo. “Mas esta não me parece a melhor maneira de obter sucesso”, ponderou. “Porque isso é só apagar incêndios, não é fazer progresso. Então, o que eu digo é, resistam!”

 

Indústria

Schrock, que trabalhou na gigante química DuPont, traçou o que chamou de uma distinção “honesta” entre o trabalho de um pesquisador acadêmico e de um cientista contratado pela indústria: “Companhias querem fazer dinheiro. Esta é a razão de ser delas. Na academia, faz-se ciência porque se acredita que essa é a coisa mais importante. Que avançar as fronteiras da ciência é o mais importante”.

O pesquisador fez a ressalva de que “muita coisa boa acontece na indústria”, mas lamentou o fim dos grandes laboratórios de ciência básica mantidos por corporações. “Eles não existem mais”, declarou, acrescentando que não vê, na passagem por um grande centro industrial, uma etapa “fundamental” na formação de um cientista.

“A ciência acadêmica oferece uma experiência de aprendizado mais forte que a ciência industrial”, disse.

Entre as consequências de ter ganhado o Nobel, Schrock mencionou o fato de estar “viajando muito”. “As pessoas reconhecem meu nome, minha imagem, e tive a oportunidade de fazer coisas que não tinha tido antes, o que foi uma boa mudança”. Ele disse, no entanto, que as verbas para pesquisa continuam as mesmas.

 

Ensino e pesquisa

Outro ganhador do Nobel de Química, Ei-ichi Neghishi, premiado em 2010, disse à Inovação Unicamp que é preciso tomar cuidado para que a universidade não descuide do que, para ele, é sua principal função – o ensino.

“A melhor colaboração que a universidade pode dar ao país é a formação das mentes da nova geração”, declarou. “Sem cabeças bem treinadas, não há como haver desenvolvimento, nem mesmo na indústria. Essas cabeças têm de começar, têm de vir da universidade”.

O pesquisador acrescentou, porém, que em sua visão as universidades precisam receber algum tipo de orientação externa. “Conheço muito bem a situação japonesa”, disse.

“Em minha opinião, as universidades lá não atuaram na área de pesquisa tão bem quando poderiam, ou deveriam. Como todas as organizações, as universidades pedem dinheiro, recebem dinheiro, e as coisas acabam crescendo além de um certo nível”, ponderou.

Richard Schrock e Ei-ichi Negishi estiveram no Brasil para participar da Escola Avançada de Química, realizada entre 14 e 18 de agosto na Unicamp Negishi disse que o Japão está, atualmente, reduzindo o número de suas universidades dedicadas à pesquisa, de 100 para 30. “Não sei se 30 é um bom número. Parece-me uma redução drástica”, afirmou, mesmo reconhecendo que um ajuste no sistema japonês era, provavelmente, necessário.

 

Desafio

Para Negishi, o principal desafio atual de sua área de pesquisa – o desenvolvimento de catalisadores para reações orgânicas – está na busca por um meio de capturar gás carbônico da atmosfera e reaproveitá-lo como matéria-prima.

“As plantas fazem isso”, disse ele. “Usam a luz do sol para converter CO2 em matéria vegetal, que depois as vacas comem, e transformam, por exemplo, em leite. Talvez seja possível não precisarmos mais desses estágios intermediários, as plantas e as vacas”, exemplificou. Em sua opinião, o gás carbônico – cuja concentração na atmosfera, hoje, é tida como principal causa da mudança climática – é um recurso valioso, à espera apenas de um processo químico eficiente para ser aproveitado.

Tendo recebido o Nobel há menos de um ano, o cientista disse que gostaria de voltar para sua vida normal, mas que “ainda tenho que dar o que outras pessoas e outros países esperam, até um certo ponto”.

Tanto Schrock quanto Negishi estiveram no Brasil para participar da Escola Avançada de Química, realizada entre 14 e 18 de setembro na Unicamp. Também vieram para a Escola outros dois ganhadores do Nobel de Química, Ada Yonath (2009) e Kurt Wüthrich (2002), além de outros importantes pesquisadores do Brasil e do mundo.

O ITA e o futuro da atividade de engenharia

quinta-feira, junho 16th, 2011

Slides do seminário apresentado pelo Tenente-Brigadeiro Reginaldo Santos, Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), sobre O ITA e o futuro da atividade de engenharia, realizado em 13/06/2011, no Observatório da Inovação e Competitividade. Para abrir o arquivo PDF, clique aqui.

O ITA e o futuro da atividade de engenharia

quinta-feira, junho 16th, 2011

Vídeo do seminário apresentado em 13/06/2011 pelo Tenente-Brigadeiro Reginaldo Santos, Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Os slides do seminário encontram-se disponíveis em nossa Biblioteca e o arquivo PDF pode ser acessado diretamente clicando aqui.

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Divisão de projetos de P&D em portfólios: a experiência da MAHLE

quarta-feira, junho 8th, 2011

Slides do seminário apresentado por André Ferrarese, Engenheiro de Pesquisa na Mahle Metal Leve S/A, sobre Divisão de projetos de P&D em portfólios: a experiência da MAHLE, realizada em 06/06/2011, no Observatório da Inovação e Competitividade. Para abrir o arquivo PDF, clique aqui.

Divisão de projetos de P&D em portfólios: a experiência da MAHLE

quarta-feira, junho 8th, 2011

Vídeo do seminário apresentado em 06/06/2011 por André Ferrarese, Engenheiro de Pesquisa na Mahle Metal Leve S/A.

Os slides do seminário encontram-se disponíveis em nossa Biblioteca e o arquivo PDF pode ser acessado diretamente clicando aqui.

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Atlas da Competitividade da Indústria do Estado de São Paulo

quinta-feira, maio 19th, 2011

No final de abril, Fiesp e Investe SP lançaram o Atlas da Competitividade da Indústria Paulista, que pretende ser um retrato das vocações regionais para auxiliar na tomada de decisões sobre futuros investimentos.

A notícia no site da FIESP, diz que a ferramenta virtual foi desenvolvida pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) da federação, com o apoio da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade do Governo do Estado de São Paulo (Investe) e será atualizada periodicamente.

O mapa conta com muitas variáveis a respeito de diversos temas, que podem ser combinadas de maneiras diferentes pelo utilizador para a construção de indicadores. Essas variáveis vão desde nível de atendimento de abastecimento de água ou coleta de lixo nos municípios a coeficientes de especialização de estabelecimentos ou empregados, por exemplo.

Veja a notícia completa aqui: Fiesp e Investe SP lançam Atlas da Competitividade da Indústria Paulista

Acesse o Atlas aqui.

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