Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Sobre a Palestra de Dani Rodrik na FEA no dia 16/04/2010.

segunda-feira, abril 19th, 2010

Após uma verdadeira luta contra a burocracia para entrar no evento, reservado aos alunos de pós graduação da FEA, consegui assistir um pouco mais da metade da apresentação de Rodrik (Making Room for China in the Wolrd Economy). Segue o que vi, em linhas gerais:

 1. Rodrik mostrou um gráfico no qual o ritmo  crescimento Chinês aparece acompanhando o grau de subvalorização do Yuan em relação ao Dólar. Depois ampliou o exercício e, por meio de um teste de regressão, mostrou que para o grupo dos ”países em desenvolvimento” como um todo, o grau de subvalorização da moeda nacional em relação ao dólar é uma variável altamente significativa para explicar o crescimento do PIB.

 

2. Ele buscou explicar essa relação pelo fato de que o cambio subvalorizado estimularia a atividade de uma indústria de bens comercializáveis. Isso seria significativo para os países em desenvolvimento, segundo ele, por estes possuírem uma estrutura dualista, e uma ampliação dos bens comercializáveis implicaria numa transferência de recursos e de pessoas de setores tradicionais para setores modernos de produção.

 

3. Tal fato geraria crescimento não apenas por causa do ganho direto de produtividade e renda, mas também porque os setores modernos seriam capazes de gerar maiores externalidades positivas, em termos de fluxos de conhecimentos produtivos, para outras atividades. Além disso, setores modernos exigiriam e fomentariam instituições mais fortes, que, por sua vez, seriam fundamentais para o desenvolvimento.

 

4. Rodrik, entretanto, também apontou que um efeito semelhante poderia ser conseguido sem uma desvalorização excessiva do cambio - que também traz conseqüências negativas -  por meio de uma política industrial “inteligente”, que envolvesse subsídios regressivos a setores industriais estratégicos, como aqueles intensivos em conhecimento. Tais subsídios, entretanto, são muitas vezes proibidos pelos acordos da OMC.

 

5. Calculou que uma apreciação de 25% no Yuan causaria uma redução de 2,15% no crescimento anual do PIB chinês. E afirmou que a China tem a sua disposição um “menu de escolhas desagradáveis”:


         a. Manter sua política monetária como está => riscos de crescentes desequilíbrios estruturais no comércio mundial e de um crescente protecionismo norte-americano.
         b. Apreciar o Yuan e adotar uma política industrial tradicional => Risco de desaceleração no crescimento e de instabilidade política interna.
        c. Substitui sua política monetária por uma “política industrial inteligente” => precisará construir capacidade institucional para isso, e ainda corre o risco de violar as regras da OMC.
 
 
 
 Após a apresentação, abriu-se o plenário para perguntas. Os professores da FEA demonstraram certo desconforto com a defesa que Rodrik fez de uma política industrial e fizeram comentários como: “isso pode funcionar bem para a China que tem uma vocação industrial, mas e para o Brasil que tem uma vocação agrícola..”, ou então, “você mencionou a capacidade institucional, a Coréia pode ter isso, mas o Brasil não tem, nesse sentido você não acha que a interferência do governo atrapalha mais do que ajuda”, ou ainda, “mas se a China apreciar o Yuan eles vão ficar mais ricos e poderão consumir mais…”.

 Rodrik foi muito educado, elogiou as perguntas e repetiu o que já havia dito a respeito das mudanças que estão ocorrendo na China e sobre como a Coréia era muito pior do que o Brasil há 40 anos. Ao fim, ele fez uma pergunta ao plenário, querendo saber o que os brasileiros achavam sobre os impactos que uma eventual apreciação do Yuan poderia ter para nós.

 Um dos professores presentes apressou-se em dizer que o Yuan depreciado era bom, pois sustentava o crescimento chinês e conseqüentemente o mercado para as commodities brasileiras. Rodrik concordou e disse que essa era uma visão possível. Mas perguntou se não havia outra. Nenhum dos presentes soube , ou ousou, dizer o porquê eventualmente poderia ser boa para o Brasil uma eventual apreciação do Yuan…
 
Atrás de nós, duas mulheres cochicharam que Rodrik sabe muito mais da história e das instituições do Brasil do que muito professor que estava ali presente.
 

Montadora Chinesa Compra Volvo.

domingo, março 28th, 2010

Geely

A Ford, que havia comprado a Volvo em 1998 por US$ 6,4 bilhões, vendeu neste domingo a empresa para a Chinesa Geely por apenas US$ 1,8 Bilhões. A Geely foi fundada como uma fábrica de geladeiras em 1986 e apenas em 1998 fabricou seu primeiro carro. No ano passado foram 329 mil unidades. Agora com a Volvo ganha destaque no cenário mundial.

 A crise econômica barateou significativamente o preço dos ativos de muitas grandes empresas nos países desenvolvidos, constituindo-se numa ótima oportunidade para aquisições por empresas emergentes dos países em desenvolvimento. A indiana Tata já havia comprado da Ford as marcas Jaguar e Land Rover. (Veja aqui)

Empresas chinesas e as indianas vêm mostrando que estão dispostas a aproveitar tais oportunidades criadas pela crise para queimar etapas e dar saltos em termos de catching up tecnológico e construção de marcas globais. Um importante desafio para as empresas brasileiras é aproveitar também esse momento.

 Segue abaixo reportagem do UOL:

 “Foi anunciada oficialmente neste domingo (28) a venda da Volvo, fabricante sueca de veículos, à Geely, a maior montadora privada da China. A formalização do negócio acontecerá ao longo dos próximos meses, informa o boletim Automotive News Europe. A Ford receberá US$ 1,8 bilhão, mas pagou pela Volvo cerca de US$ 6,4 bilhões em 1999. Na ponta do lápis, a perda é de US$ 4,6 bilhões.
 

A Volvo fazia parte do — agora fechado — leque de marcas premium do grupo norte-americano Ford, que já incluiu Aston Martin, Land Rover e Jaguar, estas duas últimas vendidas para o grupo indiano Tata. A venda da marca sueca — que tem obtido bons resultados com seus modelos no Brasil — aos chineses vinha sendo negociada desde outubro de 2009.

Com o negócio, a Ford pretende focar energias (e dinheiro, obviamente) em seu negócio principal — os carros, picapes e caminhões da própria marca Ford. Entre os três grandes grupos automotivos dos Estados Unidos (os outros dois são General Motors e Chrysler), a Ford foi o que menos sofreu com a crise global de 2008-2009. Não pegou dinheiro emprestado do governo (ao contrário da GM, que hoje, na prática, é uma estatal) nem foi absorvida por um rival europeu (como a Chrysler, nas mãos da Fiat).

A política de livrar-se de marcas deficitárias e/ou internacionais ajudou nisso: restaram à Ford apenas a Lincoln e a Mercury, ambas voltadas aos mercados da América do Norte. Nos últimos anos, por exempo, a Ford desfez-se de seus ramos britânico (as já citadas Land Rover e Jaguar) e japonês (Mazda, na qual passou a ter participação minoritária).

Por sua vez, a chinesa Geely, uma montadora de veículos que nasceu como fábrica de geladeiras em 1986, seis anos depois passou a fabricar motocicletas, e em 1998 lançou seu primeiro carro, consolida-se como player no mercado automotivo mundial. No ano passado, a Geely fabricou cerca de 329 mil veículos. Por ora, não vende seus produtos no Brasil”.

PIB do Japão Surpreende e Cresce 4,6%.

terça-feira, fevereiro 16th, 2010

Crescimento Chinês seria o responsável pela recuperação das exportações japonesas no último trimestre de 2009. Entretanto, uma eventual freada no crescimento chinês provocaria grande impacto sobre a economia do país. Com o resultado, o Japão continua com um PIB nominal superior ao da China, mas pode perder o posto ainda este ano.

Notícia da Folha.

A recuperação das exportações japonesas nos últimos três meses de 2009, principalmente por causa do aumento da demanda na China, levou o PIB do país a crescer a uma taxa anualizada de 4,6% no período, superando expectativas. Com isso, o país se mantém como a segunda maior economia do mundo (PIB de US$ 5,075 bilhões), atrás dos EUA, mas seguido de perto pela China (PIB de US$ 4,9 bilhões). No ano, a economia japonesa encolheu a uma taxa recorde de 5%.

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