Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

Posts Tagged ‘China’

Brasil sediará novo centro binacional de nanotecnologia

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Agência FAPESP – O governo brasileiro formalizou no dia 22 de agosto uma parceria com a China visando à criação de um centro binacional de nanotecnologia.

O Centro Brasil-China de Nanotecnologia terá como foco o desenvolvimento de dispositivos e processos de uso civil em escala nanométrica.

Inicialmente, o novo órgão funcionará por meio de uma rede virtual de pesquisadores e intercâmbios entre os dois países.

Com um orçamento inicial de US$ 3 milhões – cerca de R$ 4,8 milhões –, o centro tem como membros a Academia Chinesa de Ciências (do lado chinês), o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) – localizado em Campinas (SP) e que funcionará como centro de operações e sede do órgão binacional –, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Carbono (INCT-Carbono) – sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) –, e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Mais informações: portal.cbpf.br

Brasil e China criarão centro de nanotecnologia em SP

sexta-feira, agosto 5th, 2011
André Magnabosco

SÃO PAULO – O governo brasileiro assinará no fim deste mês um acordo com a Academia Chinesa de Ciências para a construção de um centro de nanotecnologia em Campinas (SP), na Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS). De acordo com o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o projeto demandará investimentos iniciais de R$ 10 milhões, a serem aportados igualitariamente pelos parceiros para a construção da unidade.

Durante viagem ao continente asiático prevista para o final deste mês, Mercadante também deve formalizar outras parcerias com a China. Entre elas está o envio de 200 doutores, estudantes de doutorado e pós-doutores para os centros de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências. Eles devem participar principalmente de pesquisas nas áreas de nanotecnologia, pesquisas espaciais, energias limpas e biotecnologia. “São áreas que damos prioridade no relacionamento com os chineses”, afirmou o ministro, que participou hoje do 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O governo brasileiro também pretende oficializar com os chineses acordos na área de tecnologia da informação, especialmente computação em nuvem, e na área de energias fotovoltaicas, solares e eólicas. “Já acertamos um amplo programa de colaboração com a Academia Chinesa de Ciências, além de outros que já tínhamos estabelecido”, afirmou Mercadante, após reunião com o presidente da entidade chinesa.

Com a assinatura dos novos acordos, o Brasil também estreitará a relação com a China no âmbito de pesquisas espaciais. Os países já são parceiros no lançamento de satélites, caso do Sibers 3, previsto para 2012. “Vamos expandir nossa parceria na área espacial com a China, agora não só com a agência espacial chinesa, mas também com a Academia Chinesa de Ciências”, disse. Outro acordo a ser detalhado na viagem à Ásia seria a assinatura de um entendimento na área de pesquisas sobre mudanças climáticas e prevenção de desastres naturais.

Mercadante também deverá abordar durante a viagem a preocupação do governo brasileiro em estimular a produção de equipamentos como semicondutores, tablets e notebooks em território nacional. Entre os encontros previstos, revelou Mercadante, estão visitas à Samsung e à LG.

O projeto da Foxconn de construir uma fábrica no Brasil também poderá ser tema de conversações. Segundo o ministro, a previsão é de que a produção na unidade instalada no interior de São Paulo tenha início no próximo mês. “A produção do iPhone deve ser iniciada em setembro e, logo a seguir, a de iPad”, disse Mercadante.

Foxconn anuncia investimentos de US$ 12 bi no Brasil

terça-feira, abril 12th, 2011

Foxconn anuncia investimentos de US$ 12 bi no Brasil, diz Itamaraty

Do G1, em São Paulo e Brasília

A multinacional de origem chinesa Foxconn, que monta produtos eletrônicos como iPhones e iPads, comunicou nesta terça-feira à presidente Dilma Roussef a intenção de investir US$ 12 bilhões no Brasil. A informação foi confirmada pelo Itamaraty. Ainda não foram detalhados prazos e a área do investimento.

Dilma se encontrou com o presidente da empresa durante seminário de negócios em Pequim, que reuniu quase 300 empresas brasileiras e chinesas.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou que a Apple e a Foxconn vão produzir o computador tablet iPad no Brasil até o final de novembro deste ano. “Tem que ser detalhado agora as condições (em que se dará a produção do iPad), onde que vai ser, logística”, disse.

O investimento anunciado pela Foxconn reafirma o interesse da China no Brasil. Em 2010, a China liderou os investimentos diretos feitos no Brasil, com negócios que somaram cerca de US$ 17 bilhões, de acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Os US$ 12 bilhões anunciados superam a previsão de investimento da Petrobras, a maior empresa brasileira, no exterior. Até 2014, a estatal prevê investir US$ 11,7 bilhões fora do Brasil.

A empresa

A Foxconn, fundada em 1974 em Taiwan, é uma das maiores fabricantes de aparelhos eletrônicos no mundo. A companhia monta computadores e aparelhos para empresas como Apple, para a qual produz iPods, iPads e iPhones, placas-mãe para a Intel, componentes para PCs da Dell, celulares da Motorola e videogames como o PlayStation 3, da Sony, Wii, da Nintendo.

No Brasil, a empresa fabrica produtos para Sony, Dell, HP e Sony Ericsson e possui hoje três fábricas: em Manaus (AM), Indaiatuba (SP) e Jundiaí (SP). A Foxconn iniciou as suas atividades no país em 2005, com a fabricação de celulares. Mais tarde, a empresa passou a fabricar máquinas fotográficas digitais. Em 2007, inaugurou a sua maior fábrica no país, em Jundiaí, para a fabricação de computadores, notebooks e netbooks, além das placas mãe desses equipamentos.

Atualmente, a Foxconn está presente em 14 países.

Tablets no Brasil

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior realiza até sexta-feira (15) consulta pública sobre as condições para a inclusão dos tablets (microcomputadores portáteis sem teclado e com tela sensível ao toque) no Processo Produtivo Básico (PPB), o que possibilitaria a redução de impostos do equipamento. O Ministério das Comunicações, que solicitou a consulta pública, estima que, com a inclusão no PPB, os tablets terão redução de até 31% nos preços na comparação com os importados, já que o IPI cairia de 15% para 3% e o ICMS, caso a produção seja em São Paulo, de 18% para 7%.

A consulta começou no dia 1º de abril e sugere as condições de fabricação do produto. De acordo com a proposta de portaria publicada na convocação da consulta, a produção nacional de componentes dos tablets, como placas e carregadores, devem aumentar gradativamente a cada ano até 2014. As empresas devem ainda encaminhar relatório anualmente sobre os componentes adquiridos no mercado nacional.

Outra possibilidade é a inclusão dos tablets na lei 11.196, originada pela MP do Bem, que isenta de PIS e Cofins a venda de computadores e modems até o fim de 2014. O Ministério da Fazenda, que decide questões de desoneração, informou que não apresenta temas ainda em discussão e que não há nada formalizado sobre o assunto.

Embraer e Huawei anunciam projetos durante visita de Dilma a China

segunda-feira, abril 11th, 2011

Fonte: Estadão.

Por VERA ROSA E CLÁUDIA TREVISAN, estadao.com.br, Atualizado: 11/4/2011

Embraer fecha acordo e evita saída da China

Depois de muitas idas e vindas, a Embraer chegou a um acordo com o governo chinês para produzir no país o jato executivo Legacy, o que evitará o fechamento da fábrica que a fabricante brasileira possui desde 2002 com a estatal Avic, na cidade de Harbin. A companhia conseguiu ainda a liberação da venda de dez aviões EMB-190, fechada em janeiro, e a promessa de novas encomendas do mesmo modelo.

A manutenção das operações da Embraer na China é um dos principais objetivos da visita de seis dias que a presidente Dilma Rousseff iniciou hoje ao país asiático. O governo brasileiro também quer a garantia de que os contratos fechados entre Embraer e empresas aéreas chinesas sejam cumpridos, com a concessão das licenças de importação pela China.

Dilma desembarcou hoje em Pequim acompanhada de cinco ministros e da única filha, Paula. A presidente deseja mudar o perfil da parceria comercial com a China para que o país passe a comprar produtos manufaturados do Brasil.

Huawei

A empresa chinesa Huawei anunciou um investimento de US$ 350 milhões para a construção de um centro de Pesquisa e Desenvolvimento na cidade de Campinas (SP). Dilma se reuniu com Ren Zhengfei, CEO e fundador da Huawei, logo após sua chegada a Pequim e ouviu do executivo que a companhia pretende expandir seus negócios no Brasil. Líder no mercado de banda larga fixa e móvel e atuando no Brasil desde 1999, a Huawei também anunciou a doação de equipamentos de computação de última geração para universidades brasileiras, no valor de US$ 50 milhões.

Brasil tem de se reinventar para tratar com a China – Antonio Barros de Castro

segunda-feira, abril 11th, 2011

Em entrevista à Folha, Antonio Barros de Castro fala dos impactos da ascensão da China sobre a economia mundial e dos desafio que ela impõe à indústria e à política industrial brasileira. Conclui que diante do crescimento acelerado da produtividade chinesa, não bastaria corrigir as distorções no cambio, mas também seria fundamental ao Brasil investir pesado em setores de ponta, nos quais possui vantagem sobre os demais, como a indústria do pré-sal, o plástico verde e biotecnologia.

Fonte: Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1104201109.htm)

São Paulo, segunda-feira, 11 de abril de 2011

ENTREVISTA DA 2ª

ANTONIO BARROS DE CASTRO – ECONOMISTA

Brasil tem de se reinventar para tratar com a China

Mesmo que país neutralize o câmbio, uma boa parte do sistema industrial ainda seria menos eficiente do que o chinês, diz ex-presidente do BNDES

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

O Brasil tem de se reinventar para ser bem-sucedido em uma economia mundial radicalmente mudada pela China, diz o economista Antonio Barros de Castro.
Diante da competição chinesa, afirma ele, não adianta proteger setores industriais para que eles fiquem “um pouco mais sofisticados”, como se fez no passado, porque os asiáticos fazem o mesmo com maior velocidade.
“Mesmo se o câmbio e o custo Brasil forem neutros, boa parte da indústria brasileira não é competitiva porque o sistema industrial chinês é mais eficiente.”
Barros de Castro diz que o Brasil deve aproveitar a “trégua” oferecida pelo boom de matérias-primas para desenvolver produtos originais, como plástico de álcool e aços especiais usados na exploração de petróleo.

Folha - O sr. vem estudando as mudanças provocadas pela China. Qual a conclusão?
Antonio Barros de Castro – Há seis anos eu comecei a suspeitar que a emergência chinesa representava uma ruptura na trajetória do sistema econômico mundial. Não se tratou de uma mudança só de tamanho, de aumento do peso do país.

Que ruptura é essa?
Nos anos 50, o economista alemão Hans Singer sintetizou assim o dilema da época: “Países industrializados têm o melhor de dois mundos, como consumidores de produtos primários e produtores de manufaturados, enquanto os subdesenvolvidos têm o pior, como consumidores de manufaturas e produtores de matérias-primas”.
Ele se baseava na tendência de queda dos preços das matérias-primas, enquanto os dos industrializados ficavam iguais ou subiam.
Com a ascensão do leste asiático, capitaneada pela China, isso virou de pernas para o ar. Países mais atrasados compram manufaturados baratos e exportam matérias-primas cada vez mais caras. Angola, por exemplo, cresce a 15% ao ano. É um movimento tectônico.

Mas o Brasil teme a desindustrialização. Como o país pode se adaptar a isso? Há exemplos bem-sucedidos?
As realidades são diferentes. Uma parte da Ásia evoluiu com a China e não enfrenta os mesmos dilemas enfrentados pelo Brasil.
Outro bloco já havia se especializado na exportação de matérias-primas, incluindo latino-americanos como o Chile. Agora, os clientes pagam melhor, mas historicamente esse caminho tende a ser visto como maldito.
Estados Unidos, Alemanha e Japão ainda podem ser dinâmicos combinando capacidade alta de inovação com a vigilância de seus direitos de propriedade intelectual. Já o Brasil é um híbrido industrial e agrícola.

Mas só o lado agrícola continua competitivo. Por quê?
Nos anos 90 e no início deste século, a indústria brasileira se preparou para competir com os produtos dos EUA e da Europa. Conseguiu bons resultados, basta ver o crescimento das exportações de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, entre 2003 e 2005.
Mas durou pouco. As exportações de produtos primários foram de 30% do total em 2004 para 44% em 2010, e as de manufaturas caíram de 57% para 43%.
Isso ocorreu porque a competição deixou de ser com EUA e Europa e passou a ser com o sistema comandado pela China. Atualmente, um país como o Brasil, que no novo contexto tem vantagens máximas no setor primário e mínimas no industrial, tem que se reinventar.

Como?
Falando de maneira simplificada, temos duas opções. A primeira é proteger a indústria que existe, tentando agregar valor às cadeias de produção, completando-as e sofisticando-as. Foi o caminho entre 1950 e 1980.
Mas havia a premissa, correta na época, de que as economias mais avançadas eram tecnologicamente maduras e tinham crescimento lento da produtividade. Tratava-se de fechar um hiato, atingir um nível em que nossos concorrentes estavam mais ou menos parados ou evoluíam devagar.
Essa premissa hoje não existe mais. Nossos concorrentes ainda estão amadurecendo, estão alcançando novos patamares de produtividade e agora aumentando o esforço tecnológico para acelerar sua eficiência.
A China busca produtos menos poluentes, verdes. Está exportando fábricas para países vizinhos e deslocando outras para sua região oeste, com mão de obra mais barata. É o que chamo de China 2.
A China 1 é a do “made in China” (fabricado na China), e eles deram uma surra baseada em trabalho barato e em imitação tecnológica. A China 2 quer ser a do “created in China” (criado na China).
Portanto, o ataque vem de baixo. Só faz sentido reforçar aquilo em que temos chance de correr mais rápido do que eles, que é a nossa segunda opção. O resto tem que ser redirecionado ou desaparecer.

E temos tempo?
Sem nosso potencial em produtos primários, em longo prazo estaríamos numa situação dificílima.
Mas hoje temos três bons problemas: segurar o balanço de pagamentos por 10 ou 15 anos com petróleo, outras matérias-primas e produtos agrícolas; manter a expansão do mercado interno colocando areia para limitar a sua ocupação por importações; e desenvolver o potencial industrial visando não otimizações, mas mudanças.
Não tem que melhorar, tem que mudar. Otimização a China faz melhor.

Quando o sr. fala em colocar areia, significa proteção.
Não estou reproduzindo o discurso de que é atrasado proteger. O que digo é que não adianta proteger quando sua produtividade cresce mais devagar do que a do concorrente.
Um produtor de válvula brasileiro, por exemplo, está condenado. Ele sabe que pode não morrer hoje, mas morre no próximo governo.
É necessário conter as importações não para que algumas indústrias sobrevivam, mas para que possam ser transformadas.

Em que casos apostar?
Esse mapa completo ainda deve ser feito. Seriam setores protegidos pela especificidade dos nossos recursos naturais, por costumes, estrutura industrial e demanda. Áreas em que o chinês não está nem vai estar.
Não proponho uma volta ao agrário. O agrário é uma trégua para você, por exemplo, construir uma indústria ligada ao pré-sal, de satélites, de novos materiais, de aços especiais. É aplicar os conhecimentos existentes para desenvolver coisas próprias e originais.
A química do etanol permite desenvolver plásticos verdes. A indústria automobilística chinesa deseja vir para cá? Vamos fazer um acordo para em dez anos os plásticos serem todos verdes; nós garantimos a evolução do produto. É usar a China como mercado.
É possível mudar os tratores para que eles se adaptem às necessidades do Brasil. Não é pegar o americano e fazer outro um pouco mais sofisticado. É fazer máquinas adaptadas às condições tropicais de solo, clima.

O embaixador chinês, respondendo às críticas ao câmbio desvalorizado do país, disse que cabe ao Brasil se tornar mais competitivo. Ele está certo?
Os chineses acham que se a gente trabalhar mais e for mais sério não teremos problemas. Não é isso, é uma questão de estratégia.

A indústria reclama do câmbio e do custo Brasil (impostos, infraestrutura). Há alguma razão nisso?
Se o câmbio e o custo Brasil forem neutros, boa parte da indústria brasileira não é competitiva porque o sistema industrial chinês é mais eficiente. Até 2004, eles já arrombavam todos os mercados e não tinham câmbio desvalorizado.
Alega-se que antes os produtos chineses eram só mais baratos, porque o salário era ínfimo e a fábrica era um galpão velho. Mas agora são boas fábricas e amanhã serão excelentes. A produtividade sobe tão rápido que, mesmo com a alta dos salários, os produtos ainda podem custar menos.
O real está sobrevalorizado? Claro, sou 100% a favor de botar areia no câmbio. Agora, ou você enfrenta as causas da nossa perda relativa de competitividade ou não vai a lugar nenhum.

São Paulo sobe 21 posições em ranking de produção científica

sábado, abril 2nd, 2011

Notícia publicada pela BBC Brasil em 29/03/2011 e reproduzida no Estadao.com.br.

(O download do relatório ao qual a notícia se refere pode ser feito no site da Royal Society, clicando aqui.)

Um relatório divulgado na Grã-Bretanha diz que São Paulo subiu da posição 38 para o 17º lugar em um ranking de cidades com mais publicações científicas no mundo.

De acordo com o estudo feito pela Royal Society, a academia nacional de ciência britânica, a evolução da capital paulista nesse setor “reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira”.

O relatório, chamado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21, analisa a publicação de trabalhos científicos por país no período entre 1996 e 2008.

O documento indica que o Brasil e outros países emergentes, liderados pela China, estão despontando como grandes potências na área de produção de estudos científicos, capazes de rivalizar com países que têm tradição nessa área, como os Estados Unidos, nações da Europa Ocidental e o Japão.

A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6.

Mas “as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações”, diz o relatório. Em meio aos cortes de R$ 50 bilhões anunciados pelo governo no orçamento federal, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão.

China

Segundo o levantamento, o desempenho da China é ”particularmente notável” – a publicação de documentos científicos do país superou as do Japão e da Europa nos últimos anos.

O país asiático só é ultrapassado pelos Estados Unidos, mas deve superá-los antes de 2020, se a atual tendência continuar.

Em 1996, os Estados Unidos tinham produção científica dez vezes maior que a chinesa; hoje, sua produção, com crescimento menor, não chega a ser o dobro da do país asiático.

No entanto, o relatório diz que ”ainda demorará algum tempo para que a produção dessas nações emergentes esteja à altura de ser uma referência para a comunidade científica internacional”, ressalta a pesquisa.

Áreas específicas

O estudo diz que há avanços em áreas específicas da ciência em alguns países, entre eles o Brasil.

”Existe diversificação de alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnolgia, e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações.”

A pesquisa também identificou nações emergentes no campo da ciência que não costumam ser associadas a uma base científica forte, como o Irã, a Tunísia e a Turquia.

As projeções feitas pelo relatório “sugerem que o sistema científico global está se desvencilhando de seu padrão anterior”.

“China e Coreia do Sul cumprem com suas ambiciosas metas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, enquanto economias como Brasil e Rússia também prometem recursos substancialmente maiores para pesquisas.”

Com isso, é possível que nações emergentes – Brasil incluído – superem os investimentos de países como Japão e França no setor.

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