Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Que engenharia precisa o Brasil de 2022 e como formar seus profissionais?

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Slides do seminário apresentado pelo Dr. Evando Mirra, ex-presidente do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema “Que engenharia precisa o Brasil de 2022 e como formar seus profissionais?“, realizado em 31/10/2011, no Observatório da Inovação e Competitividade. Para abrir o arquivo PDF, clique aqui.

Que engenharia precisa o Brasil de 2022 e como formar seus profissionais?

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Vídeo do seminário apresentado em 31/10/2011 pelo Dr. Evando Mirra, ex-presidente do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema

Que engenharia precisa o Brasil de 2022 e como formar seus profissionais?

Os slides do seminário encontram-se disponíveis em nossa Biblioteca e o arquivo PDF pode ser acessado diretamente clicando aqui.
Imagem de Amostra do You Tube

Avanços em bioenergia

terça-feira, novembro 1st, 2011

Agência FAPESP – A Bioenergia foi o tema de uma das sessões do simpósio FAPESP Week, encerrado na quarta-feira (26/10) em Washington, Estados Unidos, na qual pesquisadores brasileiros discutiram os recentes avanços científicos e tecnológicos e as perspectivas para a produção sustentável de biocombustíveis no mundo.

Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, apresentou resultados do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), do qual é um dos membros da coordenação. O objetivo do programa, segundo ela, é articular atividades de pesquisa e desenvolvimento em laboratórios e empresas para promover o avanço do conhecimento e sua aplicação na produção sustentável de energia a partir do etanol de cana-de-açúcar.

Em sua apresentação, Souza relatou a estrutura e divisões do programa, além de objetivos e resultados de alguns dos 56 projetos de pesquisa em andamento. A pesquisadora destacou a capacidade e resistência dos atuais cultivares para produção de alimentos e energia a custos compatíveis e o balanço energético positivo e baixa emissão de gases de efeito estufa das atuais variedades de cana.

Uma indústria bem desenvolvida no Brasil, segundo a pesquisadora, beneficia-se da produção de 80 toneladas de cana por hectare plantado, com uma produção de 28 bilhões de litros de etanol em 400 usinas instaladas no país. Souza ressaltou ainda que 47% da matriz energética brasileira é renovável. Em países em desenvolvimento é de 13% e cerca de 8% em países desenvolvidos.

A divisão de biomassa do programa trata da rota tecnológica da produção de biocombustível pela aplicação de técnicas de biologia molecular para aumentar a produtividade da cana. Segundo a professora, da forma como é possível fazer esse trabalho hoje, seriam necessários 12 anos para se chegar a essa variedade de alta produção.

“O que queremos é acelerar esse processo por meio da rota transgênica, usando marcadores moleculares”, disse Souza. Os projetos nessa divisão, segundo ela, estudam variedades de cana, fazem o sequenciamento do genoma da cana, e desenvolvem algoritimos para entender a complexidade do processo de geração de novas variedades, entre outros temas.

Perspectiva da indústria

Carlos Calmanovici, da ETH Bioenergia destacou o recente acordo firmado com a FAPESP e a criação de um Centro de pesquisa e desenvolvimento na empresa como uma oportunidade de desenvolvimento. A empresa possui duas usinas no Brasil e pretende colocar outras sete em operação para chegar a uma capacidade de produzir tês bilhões de litros de etanol até 14 milhões de litros de etanol até 2013.

Em sua apresentação, Fernanda Gandara, da Synthetic Genomics relatou o trabalho da companhia para desenvolver processos para síntese de produtos de interesse por meio da alteração do genoma de microrganismos.

“Estamos manipulando o genoma de leveduras e alga fotossintética para que elas realizem as funções que desejamos. A partir de fontes diferentes de carbono, como biomassa de plantas ou dióxido de carbono, esses organismos transformam o carbono absorvido em produtos de maior valor agregado, como, produtos químicos, biocombustíveis ou novas fontes de alimentos ou fármacos”, disse.

Multinacionais brasileiras dinamizam a economia

segunda-feira, outubro 24th, 2011

Artigo de Glauco Arbix e Luiz Caseiro, do Observatório da Inovação, publicado no Valor Econômico, sobre multinacionais brasileiras. Para baixar o arquivo PDF da matéria, clique aqui.

 

Multinacionais brasileiras dinamizam a economia

Por Glauco Arbix* e Luiz Caseiro*

Com direito a destaque na mídia, as matrizes das multinacionais brasileiras registraram grande transferência de recursos gerados por suas subsidiárias no exterior. Apenas de janeiro a agosto deste ano o montante foi de US$ 22,8 bilhões, o que expressa o potencial dinamizador do processo de internacionalização das empresas brasileiras. Esse movimento, porém, não é exatamente uma novidade, uma vez que já ocorre pelo quinto ano consecutivo.

De 2007 a 2011 (agosto), as multinacionais brasileiras trouxeram do exterior US$ 107,6 bilhões em investimentos. Mais importante ainda, diferentemente do que afirmaram alguns analistas, essa transferência não representou um refluxo do processo de internacionalização. Mesmo em 2009 e 2011, quando a internalização de investimentos superou o volume de recursos enviados ao exterior, as empresas brasileiras ampliaram ainda mais seus ativos fora do país.

Há diferenças entre o tipo de investimento que entra e o que sai. Enquanto que 63% (ou US$ 79,3 bi) do Investimento Externo Direto (IED) realizado pelas matrizes brasileiras nesses cinco anos destinaram-se à aquisição de empresas no exterior, apenas 15% dos recursos que entraram tiveram origem na liquidação de ativos. Os 85% restantes (US$ 91,4 bi) foram empréstimos que as subsidiárias brasileiras fizeram para suas matrizes aqui instaladas. Ou seja, ao mesmo tempo em que compraram ou participaram de mais empresas no exterior, as empresas brasileiras levantaram, via subsidiárias, novos recursos para investir no mercado interno.

Estudos demonstram haver uma alta correlação entre internacionalização e a capacidade de inovação

Até agosto desse ano, as matrizes brasileiras enviaram US$ 8 bilhões líquidos para aquisições totais ou parciais (acima de 10%) de empresas no exterior. Ainda é um desafio identificar e mapear com detalhes quais são os alvos dessas ações e seus impactos no país.

Entretanto, mesmo sem essas informações precisas, é possível afirmar que alguns mitos foram quebrados. Se é certo que o movimento é recente e os dados ainda carecem de séries históricas mais consistentes, a tendência já revelada serve para contrariar os temores de que a internacionalização ocorreria em detrimento do investimento doméstico. Pelo contrário, a história da internacionalização das empresas brasileiras desde os anos 70 mostra que os períodos em que o estoque de IED brasileiro mais cresceu foram aqueles nos quais a economia nacional esteve mais aquecida. [destaque nosso]

Embora um grupo de multinacionais brasileiras tenha iniciado sua expansão durante a década de 80, a maioria apenas abriu subsidiárias comerciais, com o intuito de promover exportações. Isso significa que o acumulado da internacionalização dos anos 80 representou pouco em termos de IED.

Mais recentemente, embalados pela retomada do crescimento da economia, os investimentos externos voltaram a crescer. Só que desta vez numa escala sem precedentes na história e abrangendo um número muito mais amplo de empresas e cadeias produtivas.

Na última década, cresceu de forma exponencial a internacionalização de empresas dos setores produtores de commodities, como a Vale, Gerdau e Petrobras. Essas empresas são hoje players globais que ampliaram as receitas de exportação, de impostos e de postos de trabalho diretos e indiretos, assim como contribuíram para um amplo reposicionamento do Brasil no cenário geopolítico internacional.

Stock Xchng/Stock Xchng

Stock Xchng/Stock Xchng

Outras grandes empresas como Embraer e Braskem, que possuem enorme potencial de inovação, também se tornaram atores internacionais de peso, em condições de disputar a liderança tecnológica e comercial em seus respectivos mercados. Além dessas, dezenas de outras empresas como no setor mecânico (WEG), no de veículos (Marcopolo), autopeças (Sabó), software (Totvs), hardware (Bematech) e cosméticos (Natura e Boticário), apenas para citar alguns exemplos, ampliaram de forma significativa sua presença externa, mas dessa vez sem se limitar à América Latina. Buscaram com ousadia os maiores e mais dinâmicos mercados do mundo, inclusive os asiáticos, como forma de conquistar novos clientes, gerar e absorver competências e ganhar competitividade.

Não é somente via acesso a novos recursos financeiros que a internacionalização das empresas beneficia o país. Vários são os estudos que demonstram haver uma alta correlação entre internacionalização e a capacidade de inovação, assim como com o aumento de produtividade, com a diversificação produtiva e com o aumento das exportações.

Mais do que isso, quando os obstáculos e as dificuldades prevalecem e as empresas não são capazes de incorporar a internacionalização como parte integrante de suas estratégias corporativas, longe de encontrar proteção no mercado interno, apenas vêem aumentar o risco de estagnação e a perda de dinamismo. Nesses momentos, o canto de sereia do protecionismo surge como tentação quase irresistível.

O atual apoio do governo à internacionalização está, portanto, associado à busca de uma inserção externa dinâmica para as empresas brasileiras. Incentivar as empresas a batalhar sistematicamente pelo aumento de produtividade, com base na ampliação do conteúdo tecnológico de suas atividades e na valorização das iniciativas intensivas em conhecimento, é o único caminho capaz de elevar o padrão de competitividade da economia e sustentar um longo ciclo de crescimento para o país.

* Glauco Arbix é presidente da Agência Brasileira de Inovação (Finep).

Luiz Caseiro é pesquisador do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP).

FAPESP Week discute cooperação científica entre Brasil e EUA

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Agência FAPESP – Os mais recentes avanços da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias obtidos nos últimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos serão tema de debates entre cientistas dos dois países durante a FAPESP Week, de 24 a 26 de outubro em Washington, Estados Unidos.

Realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), National Science Foundation (NSF), Ohio State University e Woodrow Wilson International Center for Scholars, o simpósio vai expor ao público norte-americano o que há de mais avançado na produção científica brasileira atual e colocar em discussão alguns dos resultados científicos mais expressivos obtidos pelos dois países, com vistas a incrementar a parceria já significativa existente entre ambos.

Durante a FAPESP Week, que também comemora os 50 anos de atividades da FAPESP, 53 pesquisadores de diferentes instituições de ensino e pesquisa vão expor os resultados de seus trabalhos, entre eles Paulo Nussenzweig, Vanderlei Bagnato, Paulo Artaxo, Marie Anne van Sluys, Glaucia Souza, Fernando Limongi, Hugo Armelin, Mayana Zatz e Walter Colli, da Universidade de São Paulo (USP); Hugo Fragnito, Carlos Lenz Cesar, Carlos Joly, Paulo Arruda, Licio Veloso e Fernando F. Costa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Tullo Vigevani, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Gilberto Câmara, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Jorge Kalil, do Instituto Butantan.

Os brasileiros debaterão com renomados pesquisadores de instituições norte-americanas, entre eles Erich Grotewold, Wondwossen Gebreyes e Daniel James, da Ohio State University; Michal Lipson, da Cornell University; Thomas Lovejoy, da George Mason University; Ana Carnaval, do The City College of New York; John Wenzel, do Carnegie Museum of Natural History; Tulia G. Falleti, da University of Pennsylvania; Elizabeth Stein, da University of New Orleans; Scott Desposato, da University of California, San Diego; Jane Buikstra, da Arizona State University; e Nikolaos Vasilakis, da University of Texas.

Entre os temas debatidos estarão aqueles localizados em áreas de fronteira da ciência, como bioenergia, genômica, biodiversidade, mudanças climáticas globais, óptica e fotônica, câncer, células-tronco, distúrbios genéticos, doenças tropicais e doenças infecciosas que atingem pessoas em todo o mundo, vacinas e medicamentos, além de ciência política e estudos sobre metrópoles.

“A inclusão de um simpósio do porte da FAPESP Week entre os eventos comemorativos do cinquentenário da Fundação é uma maneira construtiva de reconhecer a importância e de aprofundar a interação entre cientistas num mundo globalizado”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que a colaboração internacional proposta pelo encontro é parte importante da estratégia da Fundação.

“A FAPESP tem importantes acordos com agências como a NSF, nos Estados Unidos, Research Councils, no Reino Unido, DFG, na Alemanha, CNRS, na França, pelos quais são apoiados importantes projetos de pesquisa colaborativa”, disse.

A FAPESP Week ocorre em um momento em que a pesquisa brasileira alcança maior projeção, com índices que denotam sua maior participação no sistema mundial de ciência e tecnologia.

A maior produção brasileira, aliada a maior visibilidade alcançada por essas pesquisas, inspirou a FAPESP a lançar um Código de Boas Práticas Científicas, seguindo a tendência, verificada em vários países nos últimos dez anos, de publicar regulamentos, códigos de conduta e políticas institucionais para o tratamento de bons procedimentos nessa atividade.

Desse modo, busca-se não apenas dar visibilidade internacional à produção local, mas garantir a excelência da pesquisa científica e tecnológica realizada no Estado de São Paulo.

Temas em debate

No primeiro dia da FAPESP Week será apresentado na sessão sobre Mudanças Climáticas um estudo sobre interações entre a sociedade e a natureza na região.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, em sua palestra “Land change and human-environment interactions in Amazonia: integrative modelling approaches”, mostrará métodos para levantamento de informações para avaliar e prever mudanças resultantes de ações humanas na Amazônia e formas de organização que contribuam para evitar o desmatamento e emissões de gases utilizando sistemas computacionais que estão em desenvolvimento no Inpe.

No mesmo painel, Reynaldo Victoria falará sobre resultados de projetos apoiados no Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), que coordena.

As principais metas do programa são o aumento de conhecimento sobre o clima para apoiar decisões políticas relacionadas às mudanças e estabelecer estratégias de mitigação e de adaptação a elas.

Com investimentos de US$ 30 milhões, o PFPMCG apoia o processamento de um grande volume de informações produzidas no país para criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, capaz de gerar cenários climáticos futuros e necessário para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente pelo Brasil.

Um supercomputador, instalado no Inpe, foi adquirido pela FAPESP em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para fazer esse trabalho.

Na sessão que inclui o tema Biodiversidade e Amazônia, o coordenador do projeto BIOTA-FAPESP, Carlos Joly, vai expor os dados da primeira fase do programa (1999-2009), entre eles 27 mapas da vegetação, que serviram, por exemplo, de base para a atuação do Ministério Público Estadual em situações de degradação ambiental no Estado de São Paulo, em seis núcleos regionais no Estado.

O BIOTA-FAPESP, que se estende por mais dez anos (2010-2020), compreende pesquisas para formação de pesquisadores, bioprospecção e análise das origens da diversidade e da distribuição da flora e da fauna no Estado de São Paulo, voltadas para políticas públicas com impacto na conservação e uso sustentável da biodiversidade.

No segundo dia da FAPESP Week, a pesquisadora do Instituto de Química da USP Glaucia Souza fará uma apresentação sobre o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), com investimento previsto de até US$ 130 milhões para integrar pesquisas básicas e aplicadas sobre cana-de-açúcar e outros materiais que podem ser usados como fontes de biocombustíveis.

Um dos 59 projetos do BIOEN desenvolveu em laboratório um bioquerosene para substituir o querosene derivado de petróleo utilizado pela aviação comercial.

O biocombustível pode ser produzido em diferentes regiões do Brasil, com menor custo de distribuição e sem custo com royalties, pois, além da matéria-prima, a concepção, o projeto e a construção dos reatores e separadores são nacionais. A pesquisa apresenta desenvolvimento e inovação nas áreas de engenharia das reações químicas e das separações, garantindo pureza ao produto e sua possibilidade de uso em altas altitudes.

Agência FAPESP fará a cobertura diária da FAPESP Week direto de Washington. Mais informações e notícias (em inglês) estão disponíveis no site do evento: www.fapesp.br/week.

Satélite geoestacionário poderá ser testado e lançado no Brasil

segunda-feira, outubro 10th, 2011

Mas a Telebras não acredita que a montagem final do SGB possa ser feita no país

Carlos Orsi
Inovação Unicamp

O Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), que a Telebras espera ter em operação no espaço até meados de 2014, a tempo para a Copa do Mundo de Futebol, será construído no exterior. Ainda assim, existe a perspectiva de que haja transferência de tecnologia para o Brasil, e há a possibilidade de que os testes finais e o lançamento do material sejam feitos no País. O investimento estimado é de R$ 716 milhões.

“Não existe indústria nacional que faça esse tipo de satélite”, disse a Inovação Unicamp o engenheiro de telecomunicações da Telebras, Ruy de Araújo Carneiro. “O que existe é uma grande possibilidade de haver uma indústria nacional que participe da fabricação e absorva essa tecnologia”.

Carneiro explica que a transferência de tecnologia deve envolver tanto a parte espacial quanto a terrestre – no caso, as antenas, em terra, que ficam conectadas ao satélite. “Esse me parece até um fundamento mais rápido e mais fácil de dominar”, declarou.

Ele disse que uma empresa fará a montagem, ou integração, do satélite, reunindo componentes produzidos por terceiros. Técnicos brasileiros iriam ao exterior para acompanhar o processo.

“Acho difícil que essa integração ocorra no Brasil”, opinou. “Nós faríamos um acompanhamento”.

A possibilidade de a integração vir a ocorrer em território nacional havia sido levantada quando a decisão de adquirir o satélite no exterior foi divulgada, no fim de setembro. O presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, citado pelo jornal Valor Econômico, chegou a manifestar interesse no projeto.

“Nós iríamos aprender com os fabricantes. Acompanhar a integração, os testes”, explicou Carneiro. Isso permitiria, nas palavras do engenheiro, que a indústria brasileira começasse a “fazer parte” do satélite. O principal interesse das empresas nacionais, nesse caso, seria “aprender a fazer, a fabricar”.

Ele afirmou, no entanto, que alguns testes do satélite poderão acontecer já em território nacional. “Testes elétricos, testes mecânicos, que são severos porque na hora do lançamento há muita vibração, esses testes a gente acha que tem muita coisa que poderia ser feita no Brasil, no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”.

Lançamento

Carneiro disse ainda que há a possibilidade de o satélite ser lançado do Brasil, a partir da base espacial de Alcântara.
Isso vai depender, de acordo com ele, da massa final do equipamento e de a empresa binacional Brasil-Ucrânia Cyclone Alcântara Space já ter disponível, até 2014, o foguete Cyclone 4, com capacidade de levar até 1.600 kg para a órbita geoestacionária.

“O satélite terá de atender às Forças Armadas e à Telebras. Mas se ele conseguir ficar abaixo desse peso, poderá ser lançado de Alcântara. Se não, teremos de buscar lançamento no exterior”, disse.

Satélites geoestacionários ficam numa órbita mais elevada que a faixa chamada de órbita baixa da Terra, onde trafegam a maioria dos objetos lançados pelo homem ao espaço, incluindo a maioria dos satélites, a Estação Espacial Internacional (ISS) e o Telescópio Espacial Hubble.

Nessa órbita mais alta, os satélites completam uma rotação a cada 24 horas, efetivamente acompanhando um ponto sobre a superfície da Terra. Satélites desse tipo são usados, principalmente, transmissões de televisão e de dados. O SGB será usado para comunicações das Forças Armadas e, na aplicação civil, principalmente para internet de banda larga.

Clientes

“O objetivo é ter o satélite operando, disponível, no meio de 2014, para a Copa e outras coisas”, disse Carneiro. Do ponto de vista da Telebras, a principal função do SGB será levar banda larga a mais de mil municípios brasileiros.

“A Telebras já tem uma série de fibras, cedidas pelas empresas de energia elétrica, pela Petrobras, para fazer os anéis de fibra óptica” para a internet, explicou o engenheiro. “Mas os anéis de fibra óptica não alcançam o território nacional todo”.

Dos mais de 5.500 municípios brasileiros, disse Carneiro, cerca de 1.300 estão fora da cobertura de fibra óptica e dependerão do satélite para ter acesso à banda larga. A Telebras não descarta, no entanto, usar o SGB para prestar serviços a outros clientes de telecomunicação.

“Ainda não temos a demanda estimada para 2014, mas estamos avaliando qual será, e então vendo se configuraríamos o satélite para atendê-la”. A decisão sobre uma configuração para servir a outros clientes no ano da Copa dependeria, ainda, de vários fatores: “Isso pode afetar o peso do satélite e se ele será lançado daqui ou não, o que dependerá de se o projeto Cyclone em Alcântara já estará disponível”, exemplifica.

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