Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Avanços em bioenergia

terça-feira, novembro 1st, 2011

Agência FAPESP – A Bioenergia foi o tema de uma das sessões do simpósio FAPESP Week, encerrado na quarta-feira (26/10) em Washington, Estados Unidos, na qual pesquisadores brasileiros discutiram os recentes avanços científicos e tecnológicos e as perspectivas para a produção sustentável de biocombustíveis no mundo.

Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, apresentou resultados do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), do qual é um dos membros da coordenação. O objetivo do programa, segundo ela, é articular atividades de pesquisa e desenvolvimento em laboratórios e empresas para promover o avanço do conhecimento e sua aplicação na produção sustentável de energia a partir do etanol de cana-de-açúcar.

Em sua apresentação, Souza relatou a estrutura e divisões do programa, além de objetivos e resultados de alguns dos 56 projetos de pesquisa em andamento. A pesquisadora destacou a capacidade e resistência dos atuais cultivares para produção de alimentos e energia a custos compatíveis e o balanço energético positivo e baixa emissão de gases de efeito estufa das atuais variedades de cana.

Uma indústria bem desenvolvida no Brasil, segundo a pesquisadora, beneficia-se da produção de 80 toneladas de cana por hectare plantado, com uma produção de 28 bilhões de litros de etanol em 400 usinas instaladas no país. Souza ressaltou ainda que 47% da matriz energética brasileira é renovável. Em países em desenvolvimento é de 13% e cerca de 8% em países desenvolvidos.

A divisão de biomassa do programa trata da rota tecnológica da produção de biocombustível pela aplicação de técnicas de biologia molecular para aumentar a produtividade da cana. Segundo a professora, da forma como é possível fazer esse trabalho hoje, seriam necessários 12 anos para se chegar a essa variedade de alta produção.

“O que queremos é acelerar esse processo por meio da rota transgênica, usando marcadores moleculares”, disse Souza. Os projetos nessa divisão, segundo ela, estudam variedades de cana, fazem o sequenciamento do genoma da cana, e desenvolvem algoritimos para entender a complexidade do processo de geração de novas variedades, entre outros temas.

Perspectiva da indústria

Carlos Calmanovici, da ETH Bioenergia destacou o recente acordo firmado com a FAPESP e a criação de um Centro de pesquisa e desenvolvimento na empresa como uma oportunidade de desenvolvimento. A empresa possui duas usinas no Brasil e pretende colocar outras sete em operação para chegar a uma capacidade de produzir tês bilhões de litros de etanol até 14 milhões de litros de etanol até 2013.

Em sua apresentação, Fernanda Gandara, da Synthetic Genomics relatou o trabalho da companhia para desenvolver processos para síntese de produtos de interesse por meio da alteração do genoma de microrganismos.

“Estamos manipulando o genoma de leveduras e alga fotossintética para que elas realizem as funções que desejamos. A partir de fontes diferentes de carbono, como biomassa de plantas ou dióxido de carbono, esses organismos transformam o carbono absorvido em produtos de maior valor agregado, como, produtos químicos, biocombustíveis ou novas fontes de alimentos ou fármacos”, disse.

BBEST: Não há mais limitações técnicas para produzir combustível renovável em larga escala

terça-feira, agosto 30th, 2011
Guilherme Gorgulho

Pesquisadores reunidos na primeira edição da Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST), que aconteceu em Campos do Jordão (SP), entre 14 e 18 de agosto, defenderam que não existem mais limitações técnicas para a produção de combustíveis renováveis em larga escala nem escassez de terra no mundo para transformar o atual sistema global de produção de energia em um modelo baseado na sustentabilidade. Segundo especialistas brasileiros e estrangeiros ouvidos pela reportagem de Inovação Unicamp durante o congresso, a questão essencial é coordenar políticas públicas em âmbito internacional para que o modelo baseado no uso intensivo de derivados de petróleo seja substituído por alternativas mais limpas e economicamente viáveis.

Com mais de 600 pessoas, evento em Campos do Jordão contou com apresentações de 27 conferencistas de 9 países Com a participação de mais de 600 pessoas, o evento contou com apresentações de 27 conferencistas de nove países, além de palestras de pesquisadores de universidades, institutos e empresas brasileiras. A integração entre países em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e na definição de modelos de produção foi um dos pontos principais das mesas redondas, plenárias e sessões paralelas do BBEST. O consenso de que não será possível modificar a matriz energética mundial nas próximas décadas sem um esforço coletivo e integrado entre as nações e blocos econômicos esteve presente em várias das manifestações de brasileiros, norte-americanos e europeus. Mesmo que grande parte dos governos tenha despertado para a necessidade de modificação nas políticas energéticas nos últimos anos, e que as grandes empresas do setor energético estejam dedicando mais espaço em suas estratégias para introduzir ou ampliar a produção de combustíveis renováveis em seu portfólio, ainda existe muito a ser feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera rumo a uma “economia verde”, afirmam os especialistas.

Bruce Dale, da Universidade Estadual de Michigan, apresentou no BBEST os resultados de sua pesquisa para desenvolver novas formas de pré-tratamento químico da lignocelulose para a produção de biocombustíveis de segunda geração. O sistema AFEX (Ammonia Fiber Expansion) emprega a amônia para a quebra da parede celular de diferentes matérias-primas, seja bagaço de cana-de-açúcar, palha de arroz ou milho, o que reduz os custos e melhora o rendimento na conversão de biomassa em combustível. Em entrevista a Inovação Unicamp, Dale afirmou que o uso intensivo de derivados de petróleo nas últimas décadas exigirá várias décadas para que haja uma mudança e uma maior aceitação dos biocombustíveis na sociedade, mas considera que já houve muitas melhoras.

“É principalmente uma questão de percepção pública. Acho que grandes partes do mundo, principalmente os tomadores de decisões dos países mais influentes no hemisfério norte, realmente não sabem o importante papel que os biocombustíveis podem exercer”, destacou Dale. Para o professor do Departamento de Engenharia Química e Ciência de Materiais da Universidade Estadual de Michigan, a noção de que não há terras disponíveis para o incremento da produção de culturas para a indústria de biocombustíveis é comum em países altamente industrializados, mas há milhões de hectares agricultáveis ainda no mundo. “Esse é nosso trabalho, como educadores, de mostrar às pessoas que realmente nós temos milhões de hectares que podem ser cultivados, ter sua qualidade melhorada, para que possamos fornecer alimento e ração para os animais e oferecer trabalho para milhões de pessoas”, concluiu Dale, elogiando o modelo brasileiro de produção de etanol de cana-de-açúcar e a exportação da tecnologia para países como Colômbia e África.

O engenheiro químico Luuk van der Wielen, professor do Departamento de Biotecnologia da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, participou de uma mesa redonda no BBEST sobre políticas para uma economia baseada nos biocombustíveis. Van der Wielen também é diretor do BE-Basic (Bio-based Ecologically Balanced Sustainable Industrial Chemistry), um consórcio público-privado holandês, criado em 2010, para pesquisa e desenvolvimento da indústria química, com grande foco em inovação tecnológica e em parcerias internacionais, principalmente com Brasil, Estados Unidos, Malásia e Vietnã.

Em entrevista a Inovação Unicamp, o pesquisador holandês afirmou que o Brasil é muito bem-sucedido com seus sistemas de produção agroindustriais de grande escala no setor de biocombustíveis, apesar de necessidade de aprimoramentos. Segundo Van der Wielen, o Brasil pode ensinar muito ao restante do mundo sobre a sustentabilidade nos biocombustíveis, muito mais do que aprender a partir de outros modelos. “Em âmbito global, é necessária uma maior concordância sobre o que sustentabilidade realmente significa, para que todos concordem com os mesmos parâmetros. Isso significa que existe a necessidade de um compromisso, do Brasil e de outros países, para alcançar padrões que sejam realistas e praticáveis”, disse.

O BE-Basic desenvolve um trabalho em parceria atualmente com países do sudeste asiático, principalmente na cadeia do óleo de palma para a geração de biodiesel, mas esse setor esbarra ainda no problema da competição entre alimentos e biocombustíveis. Van der Wielen ressalta, no entanto, que as cadeias de produção de países como Malásia e Indonésia não podem ser consideradas sustentáveis, pois o grau de integração nas lavouras de palma é baixo, se comparado com a da cadeia sucroalcooleira brasileira. Por isso, o BE-Basic deve convidar em breve pesquisadores do Brasil para compartilhar suas experiências em um workshop com parceiros do convênio holandês na Malásia.

Questionado sobre se existiria a necessidade do estabelecimento de uma nova instância de decisões internacionais sobre a sustentabilidade da produção de bioenergia no mundo, o professor da Universidade Técnica de Delft concordou que essa seria uma possibilidade para integrar as políticas dos países para um objetivo comum. “A escala na qual nós precisamos concordar sobre a sustentabilidade é global. Mesmo que tenhamos grandes empresas globais sensíveis ao problema, como as petrolíferas, elas nunca serão capazes de alcançar todos os setores.” Para ele, não se trata de discutir os parâmetros sobre a sustentabilidade apenas da cana ou do milho para produzir etanol, já que há várias outras culturas importantes e cadeiras de produção de alimentos envolvidas.

“Nós precisamos de algo chamado condições de concorrência equitativas, que é basicamente todos terem o mesmo tipo de opinião sobre o que é ser sustentável e que tenhamos um sistema de cálculo sobre a metodologia que seja comum em todo o mundo”, explicou Van der Wielen, indicando que talvez algum braço executivo da Organização das Nações Unidas (ONU) possa exercer algum papel para equalizar as diferenças e estruturar a produção mundial de biocombustíveis sustentáveis. “Ainda não está claro que organização deveria liderar esse movimento, mas está claro que não deverá ser apenas um desenvolvimento no âmbito do mercado livre, isso está além do que indústrias sozinhas ou grupos de indústrias podem organizar.”

Dados da Agência Internacional de Energia mostram que 88% do consumo de energia no mundo vêm dos combustíveis fósseis e que apenas 10% da energia consumida são originados a partir de biocombustíveis, principalmente para aquecimento doméstico, transporte e indústria. Apenas no setor de transportes, os biocombustíveis líquidos — dos quais o etanol representa 90% — atendem a somente 3% da demanda do consumo mundial, em um mercado ainda fortemente concentrado na produção de etanol de Estados Unidos e Brasil, com uma parcela menor de biodiesel. Os dados, apresentados no BBEST pelo professor Luiz Augusto Horta, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), revelam o potencial inexplorado dos combustíveis renováveis na maior parte do mundo e mostram a necessidade de se estabelecer novas políticas e estratégias na esfera internacional para viabilizar o desenvolvimento da bioenergia.

Horta destacou em sua apresentação que o custo da produção de etanol de cana caiu cerca de 30% nas últimas três décadas, sendo que no Brasil a agroindústria do etanol emprega seis vezes mais do que a indústria de petróleo, gerando empregos e benefícios sociais. Grande parte desse movimento foi estimulada por políticas públicas, como a adoção da mistura de álcool na gasolina vendida no Brasil desde 1931 — no início, limitada a 5%, mas que progressivamente foi aumentando após a crise do petróleo, na década de 1970 —, destacou o professor da Unifei. “Estou convencido de que as razões econômicas, sociais e ambientais são suficientes para justificar a adoção dessas políticas públicas. Mas como promover a bioenergia? Neste caso, o papel do governo é absolutamente decisivo”, declarou Horta. Segundo ele, há vários exemplos de países com condições similares que tiveram sua indústria de biocombustíveis bem desenvolvida ou estagnada a partir das opções estratégicas adotadas pelos respectivos governos.

O professor Lee Lynd, do Dartmouth College, nos Estados Unidos, abordou em sua palestra no BBEST as estratégias para se conciliar a produção de bioenergia em grande escala com outras prioridades, como a preservação ambiental e a produção de alimentos no mundo. Lynd prevê que, em um futuro próximo, os biocombustíveis deverão fornecer pelo menos um terço da demanda de energia para o setor de transportes no mundo. Apesar das diferentes opiniões sobre a exequibilidade e a necessidade de uma produção em larga escala no mundo, diz o pesquisador norte-americano, há uma “necessidade urgente” de maior clareza sobre como e se será possível produzir biocombustíveis em uma proporção suficiente para atender os desafios presentes face ao crescimento populacional.

“Apesar das preocupações com as questões sobre uso da terra, surgem várias ‘alavancas’ que podem permitir uma produção de bioenergia em larga escala nas terras disponíveis sem diminuir a produção de alimentos e com impactos positivos ou neutros no meio ambiente”, defendeu Lynd, citando, entre outros fatores, a intensificação do uso de pastagens e o plantio de culturas voltadas para a produção de energia em áreas impróprias para culturas de alimentos.

Nova descoberta

Em entrevista a Inovação Unicamp, Lynd falou sobre os resultados de uma pesquisa sua publicada em agosto no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), sobre a descoberta de um gene isolado no microorganismo Clostridium thermocellum que melhora a produção de etanol celulósico. Segundo Lynd, que também é um dos donos da empresa Mascoma, a pesquisa — realizada em parceria com o Laboratório Nacional de Oak Ridge e o Departamento de Energia dos EUA — encontrou um gene que sozinho pode dobrar a tolerância dessa bactéria para a produção de etanol a partir de biomassa. “Até agora as pessoas pensavam que a tolerância ao etanol era determinada por muitos e muitos genes”, explicou Lynd. O pesquisador afirmou que esse microorganismo apresenta vários traços característicos, como usar a celulose da biomassa de uma maneira muito eficiente para a liberação de açúcares, mas que até agora não tinha uma capacidade de produção de etanol muito grande. “Se pudermos melhorar sua tolerância ao etanol, poderemos superar sua limitação, o que talvez seja um caminho para uma tecnologia mais barata.”

LS9 tem planos para laboratório e produção do diesel de cana no Brasil até 2014

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

A empresa de biotecnologia LS9, sediada na Califórnia, anunciou em julho a criação da LS9 Brasil Biotecnologia, com um escritório em São Paulo, e planos para a construção de um laboratório de pesquisas e início da comercialização de seus produtos no país até 2014. A revista Inovação Unicamp entrevistou Lucila de Avila, diretora geral da LS9 Brasil Biotecnologia, sobre esses planos.

“Agora, a direção da LS9 está desenvolvendo o projeto e estudando a localização de um laboratório no Brasil para testar a matéria-prima local e fazer a demonstração da tecnologia. Lucila prevê que a decisão sobre a cidade que abrigará o laboratório possa ser tomada ainda neste ano, para que o investimento, de valor não divulgado, comece a ser feito. Entre os municípios que estão sendo avaliados estão Campinas, Piracicaba, Paulínia e a capital paulista. Estão sendo estudadas também parcerias com universidades brasileiras, mas ainda não foram iniciados os contatos.

O Brasil está no foco principal da empresa e já estão sendo feitas negociações com produtores nacionais para alcançar a escala comercial, tanto na área de biodiesel quando no setor de produtos bioquímicos. Esses acordos poderão ser para o fornecimento de matéria-prima, para contratos de fornecimento de tecnologia ou até mesmo joint ventures.”

Veja a matéria completa de Guilherme Gorgulho aqui:

LS9 chega ao Brasil com plano para laboratório e produção do diesel de cana até 2014 – Inovação Unicamp

São Paulo terá núcleo de pesquisa em bioenergia e sustentabilidade

quarta-feira, junho 15th, 2011

Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP – Reunir especialistas das três universidades públicas de São Paulo – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) –, para realizar pesquisas e formar especialistas focados na geração de energia a partir de biomassa, é a principal proposta do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade (NAPBS), lançado no dia 3 de junho na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq-USP), em Piracicaba.

O anúncio feito pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, fez parte da cerimônia de comemoração dos 110 anos da Esalq e contou com a presença do pró-reitor de Pesquisa da USP, Marco Antônio Zago, do vice-reitor administrativo da universidade, Antônio Roque Dechen, do diretor da Esalq, José Vicente Caixeta Filho, do presidente da comissão de pesquisas da Esalq, José Lehmann Coutinho, e do diretor administrativo da FAPESP, Joaquim José de Camargo Engler, além de representantes do governo estadual e de institutos de pesquisa como a Embrapa e o Instituto Agronômico.

O novo núcleo, ainda sem sede definida, tem por objetivo estimular e articular pesquisas sobre biomassa e tecnologias de transformação em biocombustíveis, além de promover e integrar o conhecimento gerado. De acordo com Dechen, coordenador-geral do núcleo, a principal meta do NAPBS é a implantação de um programa de pós-graduação interuniversidades em bioenergia e sustentabilidade.

Com o aporte de R$ 20 milhões do governo estadual para infraestrutura e o apoio da FAPESP para projetos de pesquisa, estão envolvidos na fase inicial do NAPBS pesquisadores da Esalq, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, do Instituto de Física de São Carlos, do Instituto de Química, do Instituto de Biociências, do Instituto de Ciências Biológicas, da Escola Politécnica, das unidades de Ribeirão Preto e da Escola de Engenharia de Lorena, todas unidades da USP. “O foco será na energia, mas voltada à sustentabilidade”, disse Dechen.

Esses grupos de pesquisa atuam em áreas que vão desde a agricultura e genética de plantas a impactos socioeconômicos e ambientais, sendo o núcleo estruturado em seis eixos principais. “Muito se fez e muito se fará pela pesquisa com a implantação desse núcleo”, afirmou o professor.

Os eixos são: “Produção de Biomassa”, “Genômica Funcional”, “Transformação da Biomassa em Biocombustíveis”, “Morfologia e Composição de Biomassa”, “Processos Industriais” e “Sustentabilidade”.

Durante a cerimônia, José Vicente Caixeta Filho, diretor da Esalq, aproveitou para anunciar a construção de um centro de convenções em um local próximo ao campus de Piracicaba, com recursos da USP.

O empreendimento, cuja área total envolve 216 mil metros quadrados, será dividido em três blocos. Terá um teatro principal com capacidade para mil pessoas e dois espaços de 2.700 m2 cada, destinado a eventos. Além disso, o centro contará com um estacionamento para 1,3 mil veículos.

Segundo Caixeta, o novo centro de convenções servirá tanto à universidade como à comunidade. “É um polo a mais para que a USP possa estreitar laços locais e regionais”, disse.

A ideia do espaço visa também economizar e facilitar a logística de seminários e outros eventos. De acordo com as estatísticas da USP, a cada dois dias um evento de extensão é realizado no campus de Piracicaba.

BBest prorroga inscrições para tutoriais

quinta-feira, junho 9th, 2011

Agência FAPESP – A Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (1st Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference – BBest) prorrogou até o dia 15 de junho o período de inscrições para participação nos cursos tutoriais pré-evento.

Os cursos serão realizados no dia 14 de agosto, antes da abertura do BBest, principal evento brasileiro sobre o estado da arte na área de bioenergia que ocorrerá de 14 a 18 de agosto de 2011 em Campos do Jordão (SP).

A BBest será um fórum internacional privilegiado para especialistas de todo o mundo apresentarem seus mais recentes avanços científicos e realizações tecnológicas e discutirem negócios e políticas para o desenvolvimento do setor.

A conferência está estruturada em Sessões Plenárias, Sessões Especiais, Sessões Paralelas, Sessões de Pôster e Espaço para exposição de produtos e novas tecnologias, nos seguintes tópicos: Biomassa; Tecnologia de Biocombustíveis; Alcoolquímica e Biorrefinarias; Motores e outros Aparelhos de Conversão; Integração de Processos; e Sustentabilidade.

Os cursos tutoriais são destinados a profissionais envolvidos na produção e utilização de biocombustíveis, bem como a novos pesquisadores da área e estudantes de pós-graduação.

Os tutoriais serão ministrados por renomados especialistas, entre os quais os brasileiros Augusto Horta Nogueira (Unifei), Francisco Nigro (IPT), Luiz Antonio Bonomi (CTBE), Márcia Azanha (USP), Oscar Braunbeck (CTBE), René Nome (Unicamp) e Rubens Maciel Filho (Unicamp); os norte-americanos Paul Moore (Texas A&M) e Steve Long (EBI); o inglês Jeremy Woods (Imperial College) e o alemão Wolfgang Marquardt (Aachen Institute).

Os temas dos oito tutoriais são: Fotossíntese; Melhoramento de cana e práticas agrícolas; Biocombustíveis Avançados I – Produção de Etanol; Biocombustíveis Avançados II – Etanol celulósico; Biorrefinarias; Motores; Sustentabilidade I – Meio ambiente; e Sustentabilidade II – Socioeconomia dos Biocombustíveis.

Mais informações e inscrições: www.bbest.org.br e bbest@bbest.org.br.

São Paulo sobe 21 posições em ranking de produção científica

sábado, abril 2nd, 2011

Notícia publicada pela BBC Brasil em 29/03/2011 e reproduzida no Estadao.com.br.

(O download do relatório ao qual a notícia se refere pode ser feito no site da Royal Society, clicando aqui.)

Um relatório divulgado na Grã-Bretanha diz que São Paulo subiu da posição 38 para o 17º lugar em um ranking de cidades com mais publicações científicas no mundo.

De acordo com o estudo feito pela Royal Society, a academia nacional de ciência britânica, a evolução da capital paulista nesse setor “reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira”.

O relatório, chamado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21, analisa a publicação de trabalhos científicos por país no período entre 1996 e 2008.

O documento indica que o Brasil e outros países emergentes, liderados pela China, estão despontando como grandes potências na área de produção de estudos científicos, capazes de rivalizar com países que têm tradição nessa área, como os Estados Unidos, nações da Europa Ocidental e o Japão.

A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6.

Mas “as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações”, diz o relatório. Em meio aos cortes de R$ 50 bilhões anunciados pelo governo no orçamento federal, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão.

China

Segundo o levantamento, o desempenho da China é ”particularmente notável” – a publicação de documentos científicos do país superou as do Japão e da Europa nos últimos anos.

O país asiático só é ultrapassado pelos Estados Unidos, mas deve superá-los antes de 2020, se a atual tendência continuar.

Em 1996, os Estados Unidos tinham produção científica dez vezes maior que a chinesa; hoje, sua produção, com crescimento menor, não chega a ser o dobro da do país asiático.

No entanto, o relatório diz que ”ainda demorará algum tempo para que a produção dessas nações emergentes esteja à altura de ser uma referência para a comunidade científica internacional”, ressalta a pesquisa.

Áreas específicas

O estudo diz que há avanços em áreas específicas da ciência em alguns países, entre eles o Brasil.

”Existe diversificação de alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnolgia, e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citações.”

A pesquisa também identificou nações emergentes no campo da ciência que não costumam ser associadas a uma base científica forte, como o Irã, a Tunísia e a Turquia.

As projeções feitas pelo relatório “sugerem que o sistema científico global está se desvencilhando de seu padrão anterior”.

“China e Coreia do Sul cumprem com suas ambiciosas metas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, enquanto economias como Brasil e Rússia também prometem recursos substancialmente maiores para pesquisas.”

Com isso, é possível que nações emergentes – Brasil incluído – superem os investimentos de países como Japão e França no setor.