Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

16

mar

César Ades (1943-2012)

sexta-feira, 16 março 2012 - 12:13 Postado por: Aires Ribeiro Categoria: blog

É com imenso pesar que o IEA registra a morte ontem, 14 de março, do prof.
César Ades, aos 69 anos, em
decorrência de traumatismos ocasionados por atropelamento na quinta feira
passada.

Ades era uma personalidade de grande importância no meio acadêmico
brasileiro, por sua estatura científica na área de psicologia experimental,
alta competência e dinamismo como professor e também pelas suas atividades
bem-sucedidas na gestão universitária. De fato, suas gestões à frente do
Instituto de Psicologia, em dois mandatos, e, posteriormente, do Instituto
de Estudos Avançados da USP foram marcadas por uma grande dedicação,
eficiência, comprometimento e visão de futuro.

O Instituto de Psicologia, o Instituto de Estudos Avançados e a Universidade
de São Paulo perdem, assim, um brilhante ex-aluno, professor, cientista e
gestor, cuja ausência será muito sentida nas salas de aula, nos
laboratórios, nas reuniões da Universidade, nos congressos brasileiros e
internacionais e, talvez mais importante, nas nossas vidas, já que o César
(como todos o chamavam) sempre tinha um sorriso e palavras agradáveis para
todos, dos mais humildes aos mais graduados, dos mais próximos amigos (que
eram muitos) aos que não conhecia.

15 de março de 2012
Direção do IEA

13

mar

Registro de patentes no Brasil cresce 64% em 10 anos

terça-feira, 13 março 2012 - 09:12 Postado por: Aires Ribeiro Categoria: blog

Fonte: Folha de São Paulo, 06/03/2012 – 10h08

Em um artigo publicado pelo portal Folha de São Paulo, cita-se a análise feita a partir dos dados obtidos pelo relatório baseado no DWPI (Índice Mundial Derwent de Patentes) – o maior banco de dados de patentes do mundo – mostrando que o número dos registros de patentes no Brasil cresceu 64% entre 2001 e 2010, período em que Europa e Japão tiveram declínio de 30% e 25%.

Ainda, a reportagem cita como líderes no número de patentes deferidas, no Brasil, a Petrobrás, a UNICAMP e a USP. Mostra, ainda, o ranking por áreas de patente. A área de computação foi a que mais se destacou, seguindo a tendência observada em países desenvolvidos.

Acesse aqui o artigo na íntegra publicado pela Folha de São Paulo

17

fev

Defesanet – MB inaugura a Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio e o Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR

sexta-feira, 17 fevereiro 2012 - 09:39 Postado por: Peterson F. da Silva Categoria: blog Tags:

MB inaugura a Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio e o Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR
Empreendimentos possibilitam formação de mão-de-obra especializada para o submarino com propulsão nuclear e representam um marco no enriquecimento de urânio no Brasil
16 de Fevereiro, 2012 – 14:50 ( Brasília )
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No dia 16 de fevereiro, será inaugurada a Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e o Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR (CIANA), nas dependências do Centro Experimental ARAMAR (CEA), da Marinha do Brasil, em Sorocaba (SP).

Com as presenças do Ministro de Ciência e Tecnologia e Inovação – Sr. Marco Antônio Raupp -, do Comandante da Marinha – Almirante-de-Esquadra Julio Soares Moura Neto – e do Diretor-Geral do Material da Marinha – Almirante-de-Esquadra Arthur Pires Ramos -, o evento representa um passo importante no Programa Nuclear da Marinha, que por sua vez, viabilizará a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. Além disso, trata-se de um marco para o país no processo de enriquecimento de urânio, possibilitando a produção de combustível nuclear para as usinas de geração de energia.

Saiba Mais:

Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio – USEXA

A USEXA é uma unidade piloto onde se converte o minério beneficiado de urânio (“yellow cake”) em hexafluoreto de urânio (UF6) gasoso. Em síntese, a conversão de urânio é um conjunto de processos físicos e químicos que versam sobre a transformação de compostos de urânio, onde o UF6 é o produto final. Este é a matéria prima para a etapa de enriquecimento de urânio, posterior à conversão. Isto é, sem a conversão de urânio não é possível produzir combustível nuclear para as usinas como as de Angra.

A USEXA dimensionada para produção 40 ton de UF6 natural/ano, sendo uma das poucas unidades novas em comissionamento no mundo. Os trabalhos técnicos e projetos de sistemas da USEXA baseiam-se em estudos e pesquisas feitas nos anos 90 no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN, acrescendo-se instrumentação, materiais e dispositivos eletrônicos atualizados e engenharia para aumento de escala. A USEXA apresenta um índice de nacionalização de cerca de 80%, gerando-se empregos de nível médio e superior, na sua maioria, na região de São Paulo e Sorocaba.

O início de operação da USEXA representa, assim, mais um marco alcançado na solidificação da engenharia nuclear no campo industrial do Brasil. A USEXA serve também como referência à futura unidade de conversão a cargo da INB, incluindo-se o licenciamento ambiental e nuclear.

Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR – CIANA

O Laboratório de Geração Núcleoelétrica (LABGENE) é uma planta nuclear, projetada por brasileiros e que está sendo construída em ARAMAR com seu término previsto para 2014.

Tendo em vista a necessidade de possuir um centro capaz de prover a formação adequada dos futuros operadores do LABGENE e das futuras tripulações dos Submarinos Nucleares Brasileiros (SN-BR), a Marinha construiu o CIANA, totalmente voltado para a formação de pessoal.

O objetivo principal dessa gama de estudos e treinamentos é capacitar os alunos para a obtenção da licença de operação do LABGENE a ser concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, após terem sido aprovados em um conjunto de provas teóricas e práticas.

Na fase atual, o CIANA preparará não só operadores do LABGENE, o qual possui forte similaridade física e funcional com a parte de propulsão do Submarino Nuclear Brasileiro -SN-BR, mas também os futuros instrutores das tripulações ligadas aos meios de propulsão nuclear.

Fonte: http://www.defesanet.com.br/prosub/noticia/4822/MB-inaugura-a-Unidade-Piloto-de-Hexafluoreto-de-Uranio-e-o-Centro-de-Instrucao-e-Adestramento-Nuclear-ARAMAR

13

fev

Ministério da Defesa – Seminário na Câmara discutirá reaparelhamento das Forças Armadas

segunda-feira, 13 fevereiro 2012 - 17:23 Postado por: Peterson F. da Silva Categoria: blog Tags:

Brasília, 10/02/2012 — O ministro da Defesa, Celso Amorim, participará da abertura do II Seminário de Defesa Nacional, promovido pela Frente Parlamentar de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). O objetivo do encontro, que terá lugar na próxima quarta-feira (15/02), é debater a relação entre a Estratégia Nacional de Defesa (END), o desenvolvimento sustentado do Brasil e os interesses da sociedade brasileira.

Participarão da abertura o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia; o presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, deputado Carlos Zaratini; e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp.

Dentre os temas a serem discutidos estão os projetos estruturantes, o reaparelhamento das Forças Armadas, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e as medidas julgadas necessárias para o fortalecimento do setor, como a MP 544/2011, que estabelece normas especiais para as contratações e desenvolvimento de produtos e de sistemas de defesa.

PAED

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general-de-exército José Carlos de Nardi, abrirá o primeiro painel, do qual participarão os chefes de estado maior da Marinha, almirante-de-esquadra João Afonso Prado Maia de Faria; do Exército, general-de-exército Joaquim Silva e Luna, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Aprígio Eduardo de Moura Azevedo.

“Vamos apresentar um panorama amplo do Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED)”, disse o general De Nardi, “que irá estabelecer os fundamentos para o processo de modernização da Defesa nacional.”

Para o deputado Carlos Zaratini, o seminário é extremamente importante para aprofundar o debate sobre a criação de uma política industrial e de incentivo tecnológico dentro dos parâmetros estabelecidos pela Estratégia Nacional de Defesa. “Nosso objetivo é ampliar o máximo a autonomia de nosso parque industrial e de reverter a atual dependência de fornecedores estrangeiros”, ressaltou. Veja a programação completa.

Local: Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados
Data e hora: 15 de fevereiro, às 9h
Inscrições pelos endereços eletrônicos: abimde@abimde.org.br e comunicacao@abimde.org.br

Fonte: Ministério da Defesa/Assessoria de Comunicação Social
Contato: (61) 3312-4070 // 4071

8

fev

Dilma e o espírito animal dos empresários

quarta-feira, 8 fevereiro 2012 - 14:22 Postado por: Luiz Caseiro Categoria: blog

Por Cristiano Romero (do Valor Econômico)

Os investidores estrangeiros estão mais otimistas com o Brasil que os nacionais. Enquanto os primeiros seguem batendo recordes de aplicação no país em todas as modalidades de investimento, os residentes mostram desconfiança. Tem sido assim desde o pós-crise, principalmente a partir do último trimestre de 2010, quando a taxa de investimento passou a andar de lado.

A presidente Dilma Rousseff pretende ouvir nas próximas semanas representantes dos vários setores da economia. Obviamente, ela conhece entraves e gargalos que diminuem a competitividade da produção nacional, mas quer escutar o diagnóstico diretamente dos empresários.

Há a feliz constatação no governo de que o ciclo de reformas microeconômicas iniciado há nove anos, ainda na gestão de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, está perto de ser concluído, o que exige a formulação de novas medidas para melhorar o ambiente de negócios e reduzir os custos de produção no país.

Investidor externo está mais otimista do que o brasileiro

Houve avanços importantes nesse período, como a aprovação da Lei de Falências, a instituição da alienação fiduciária, a adoção de mecanismos para dinamizar o mercado imobiliário, a criação do sistema de defesa da concorrência, a bancarização. Foram iniciativas que, avaliadas em perspectiva, ajudaram a acelerar o crescimento da economia nos anos recentes.

O governo Dilma tenta avançar, agora, na conclusão dessa agenda, com a regulamentação da reforma da previdência do setor público, mediante aprovação do projeto de lei que institui o fundo de pensão dos funcionários públicos (conhecido como Funpresp). Paralelamente, adota medidas, como a privatização da gestão de aeroportos e a elevação dos investimentos públicos, para melhorar a infraestrutura. Já está na agenda também estudo para conceder à iniciativa privada a administração de portos.

Depois de conceder os três maiores aeroportos do país – Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Juscelino Kubitschek (Brasília) -, em leilão marcado para segunda-feira, o governo incluirá na lista de concessão Galeão (Rio de Janeiro) e Confins (Belo Horizonte). “Esta é uma agenda vitoriosa da presidente”, diz um interlocutor frequente de Dilma.

O passo, este muito mais complicado que todos os outros, é mexer na tributação. A Receita Federal vem trabalhando desde o ano passado na simplificação de dois tributos – PIS e Cofins – que incidem sobre o faturamento das empresas. A conclusão desse trabalho pode facilitar não só a cobrança dos tributos, mas também a devolução de créditos devidos às empresas. O saldo, se o governo não cair na tentação de aumentar tarifa, pode ser a redução da alíquota efetiva paga pelos contribuintes, o que resultará, portanto, em diminuição da carga tributária.

Na seara dos impostos, qualquer mudança que facilite a vida dos contribuintes é positiva, mas, se ficar restrita à simplificação de PIS e Cofins, é muito pouco. O Brasil tem uma carga tributária elevada (cerca de 36% do PIB) para país em desenvolvimento, impostos de alta complexidade e regressivos. A presidente Dilma, segundo fonte com trânsito no Palácio do Planalto, tem consciência do problema.

Está claro para as mentes mais abertas de Brasília que o ciclo econômico recentemente vivido pelo país necessita de novo gás. A perda de fôlego do investimento privado mostra isso. Entre o primeiro trimestre de 2003 e o terceiro de 2008, quando a economia saiu de uma crise interna e entrou em outra, motivada por razões externas, a taxa de investimento da economia, medida a partir da relação entre a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete a compra de máquinas e equipamentos pelas empresas, e o PIB, foi de 16,29 para 20,62, um salto, portanto, de 4,33 pontos percentuais do PIB.

O tombo da economia provocado pela crise internacional de 2008 foi tão forte que essa mesma taxa recuou para 17,02% do PIB no primeiro trimestre de 2009. Mesmo com a recuperação nos trimestres seguintes, os números são decepcionantes. No terceiro trimestre de 2011 (último dado disponível), a taxa de investimento chegou a 20,02% do PIB, já considerada a revisão da metodologia de cálculo do PIB feita pelo IBGE, medida que provocou incremento no valor apurado.

Uma outra forma de olhar o investimento é observar a evolução trimestral da FBCF. Depois de um forte avanço nos três primeiros trimestres de 2010, com taxas de crescimento superiores a 20%, o indicador vem mostrando desempenho pífio. No terceiro trimestre do ano passado, cresceu apenas 2,48% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Chama a atenção o fato de o investidor estrangeiro ter, neste momento, outra opinião sobre as perspectivas do Brasil. Na categoria investimento estrangeiro direto (IED), um termômetro do grau de confiança do empresário no desempenho do setor produtivo, os valores não param de crescer. Em 2011, bateu recorde (US$ 66,6 bilhões), neste ano deve ter um recuo normal por causa da crise mundial (mesmo assim, para US$ 50 bilhões, segundo melhor resultado da história, de acordo com o Banco Central) e, em 2013, voltar a acelerar (para US$ 70 bilhões, segundo estimativa do Credit Suisse).

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

7

fev

Filial de múlti envia US$ 21 bi a matriz no país

terça-feira, 7 fevereiro 2012 - 09:22 Postado por: Flávio Amaral Categoria: blog Tags:, , , , ,

Valor Econômico
06/02/2012
Filial de múlti envia US$ 21 bi a matriz no país

Por Sergio Lamucci | De São Paulo

As matrizes das multinacionais brasileiras receberam em 2011 um fluxo expressivo de recursos de suas filiais no exterior, nos chamados empréstimos intercompanhias. Nessas operações, as entradas no Brasil superaram as saídas em US$ 21,2 bilhões, o que fez o saldo líquido total de investimentos brasileiros diretos no exterior – voltados para atividades produtivas – ficar positivo em US$ 9,3 bilhões, uma vez que o fluxo de compras de participação no capital de empresas lá fora ficou negativo em US$ 11,9 bilhões. Os números são do Banco Central.

O resultado causa alguma estranheza, porque o processo de internacionalização das companhias brasileiras está no começo, e seria natural que as saídas de recursos fossem superiores às entradas.

Há quem acredite que as empresas trouxeram neste ano mais dinheiro das filiais com o objetivo de evitar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações em ações e principamente em renda fixa (para aproveitar o diferencial entre juros internos e externos), mas vários analistas têm explicação mais benigna. O dinheiro viria para as companhias investirem em atividades produtivas, uma vez que as perspectivas de crescimento da demanda por aqui são mais favoráveis do que em boa parte do mundo. Os investimentos brasileiros diretos se compõem da soma das operações de participação no capital e dos empréstimos intercompanhias.

Pesquisador do Observatório de Inovação e Competitividade da USP, Luiz Caseiro diz que a ampliação da presença das empresas brasileiras no exterior aumenta a capacidade de levantar recursos fora do país. Uma das vantagens da internacionalização, lembram analistas, é o acesso a capital com custos mais baixos. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima, num momento em que a economia brasileira oferece oportunidades interessantes de expansão, as empresas tendem a dar preferência a projetos por aqui. “É um recuo tático, não um abandono das operações fora do país.”

Caseiro também não vê esse movimento como um retrocesso na fase de internacionalização. Ele lembra que, no caso das operações de participação de capital, as saídas de recursos do Brasil continuaram a superar as entradas em 2011. Isso quer dizer que as empresas seguem aumentando a presença fora do país. Nos últimos anos, companhias como Vale, Petrobras, Gerdau, Weg e Marcopolo ampliaram a atuação no exterior.

Dos US$ 21,2 bilhões que voltaram ao país sob a forma de empréstimos intercompanhias, US$ 15,1 bilhões se referem a operações em que a filial amortiza recursos que haviam sido emprestados pela matriz. Para o professor Antonio Corrêa de Lacerda, da PUC-SP, esse movimento pode confirmar a hipótese de que as empresas decidem trazer recursos das subsidiárias por verem perspectivas mais promissoras por aqui. “É um movimento de trazer parte do dinheiro de volta, mas não de desistir da internacionalização.”

Lima diz que as empresas podem “arbitrar” a data de amortização de empréstimos de suas filiais, ou seja, têm espaço para definir quando mandar o dinheiro de volta. Dado que hoje os projetos em várias áreas são mais promissores no Brasil, faz sentido trazer os recursos. “Como se trata de uma relação entre matriz e subsidiária, a tendência é que esses pagamentos ocorram em função de um planejamento da organização de investimentos”, reforça Caseiro.

Há ainda uma fatia de US$ 6,1 bilhões do fluxo líquido de US$ 21,2 bilhões de empréstimos intercompanhias para o Brasil que se refere a recursos emprestados às matrizes pelas filiais. Como o custo do dinheiro no exterior é mais baixo, há um estímulo para que as subsidiárias tomem emprestado no exterior e repassem para as sedes investirem em projetos num mercado de maior potencial de crescimento, dizem analistas.

Pesquisadoras do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Julia Braga e Renata Carvalho acreditam que o forte aumento do fluxo de recursos das filiais para as matrizes neste ano pode ter outro motivo. Para elas, as empresas estão buscando opções para evitar a cobrança do IOF nas aplicações de recursos em ações e renda fixa. Em outubro de 2010, a alíquota para a renda fixa subiu de 2% para 6%, e a de ações foi definida em 2%. As pesquisadoras notaram primeiro o aumento dos fluxos de investimentos estrangeiros diretos, que também passaram a apresentar maior volatilidade, característica típica de capitais de curto prazo, como as aplicações em ações e renda fixa.

De fato, o fluxo das filiais no exterior para as matrizes em 2011, de US$ 21,2 bilhões, ficou bem acima dos US$ 15,2 bilhões de 2010 e dos US$ 14,6 bilhões de 2009, embora esses números também sejam expressivos. Segundo Julia e Renata, essas operações perderam fôlego depois que o BC inverteu a mão da política monetária, no fim de agosto, e começou a reduzir os juros. Em novembro e dezembro, por exemplo, saíram do país US$ 400 milhões por esse canal. Com juros menores e IOF agora zerado na entrada de dinheiro para ações (para títulos públicos, permanece a taxa de 6%), há menos incentivo para o uso desse expediente, que elas classificam como “arbitragem regulatória”.

As pesquisadoras dizem ainda que a existência de operações para escapar do IOF não exclui um movimento simultâneo de entrada de dinheiro para uso em atividades produtivas. A questão é que o aumento dos fluxos, especialmente no primeiro trimestre de 2011, sugeriu um elemento novo.

Caseiro diz que a hipótese das pesquisadoras do Ipea deve ser levada em conta, mas acredita que a maior parte dos recursos vindos das filiais para as matrizes tende a ir para projetos no setor produtivo. “O IOF aumentou em 2010, e a tendência de alta dos empréstimos de capital das subsidiárias para as matrizes ocorre desde 2007, quando a economia passou a apresentar um ciclo de crescimento mais intenso e sustentável.”

Lacerda acha que as duas hipóteses não são excludentes, dando como exemplo uma empresa que tem um plano de investimento a ser realizado em dois anos. Nesse caso, a companhia traz os recursos da filial, aplica o dinheiro na renda fixa e o desembolsa ao longo do tempo, à medida que constrói uma nova fábrica.

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