Observatório da Inovação e Competitividade

Site do Observatório da Inovação da USP, uma iniciativa do IEA/USP, coordenado pelos Professores Glauco Arbix e Mário Salerno.

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Multinacionais brasileiras dinamizam a economia

segunda-feira, outubro 24th, 2011

Artigo de Glauco Arbix e Luiz Caseiro, do Observatório da Inovação, publicado no Valor Econômico, sobre multinacionais brasileiras. Para baixar o arquivo PDF da matéria, clique aqui.

 

Multinacionais brasileiras dinamizam a economia

Por Glauco Arbix* e Luiz Caseiro*

Com direito a destaque na mídia, as matrizes das multinacionais brasileiras registraram grande transferência de recursos gerados por suas subsidiárias no exterior. Apenas de janeiro a agosto deste ano o montante foi de US$ 22,8 bilhões, o que expressa o potencial dinamizador do processo de internacionalização das empresas brasileiras. Esse movimento, porém, não é exatamente uma novidade, uma vez que já ocorre pelo quinto ano consecutivo.

De 2007 a 2011 (agosto), as multinacionais brasileiras trouxeram do exterior US$ 107,6 bilhões em investimentos. Mais importante ainda, diferentemente do que afirmaram alguns analistas, essa transferência não representou um refluxo do processo de internacionalização. Mesmo em 2009 e 2011, quando a internalização de investimentos superou o volume de recursos enviados ao exterior, as empresas brasileiras ampliaram ainda mais seus ativos fora do país.

Há diferenças entre o tipo de investimento que entra e o que sai. Enquanto que 63% (ou US$ 79,3 bi) do Investimento Externo Direto (IED) realizado pelas matrizes brasileiras nesses cinco anos destinaram-se à aquisição de empresas no exterior, apenas 15% dos recursos que entraram tiveram origem na liquidação de ativos. Os 85% restantes (US$ 91,4 bi) foram empréstimos que as subsidiárias brasileiras fizeram para suas matrizes aqui instaladas. Ou seja, ao mesmo tempo em que compraram ou participaram de mais empresas no exterior, as empresas brasileiras levantaram, via subsidiárias, novos recursos para investir no mercado interno.

Estudos demonstram haver uma alta correlação entre internacionalização e a capacidade de inovação

Até agosto desse ano, as matrizes brasileiras enviaram US$ 8 bilhões líquidos para aquisições totais ou parciais (acima de 10%) de empresas no exterior. Ainda é um desafio identificar e mapear com detalhes quais são os alvos dessas ações e seus impactos no país.

Entretanto, mesmo sem essas informações precisas, é possível afirmar que alguns mitos foram quebrados. Se é certo que o movimento é recente e os dados ainda carecem de séries históricas mais consistentes, a tendência já revelada serve para contrariar os temores de que a internacionalização ocorreria em detrimento do investimento doméstico. Pelo contrário, a história da internacionalização das empresas brasileiras desde os anos 70 mostra que os períodos em que o estoque de IED brasileiro mais cresceu foram aqueles nos quais a economia nacional esteve mais aquecida. [destaque nosso]

Embora um grupo de multinacionais brasileiras tenha iniciado sua expansão durante a década de 80, a maioria apenas abriu subsidiárias comerciais, com o intuito de promover exportações. Isso significa que o acumulado da internacionalização dos anos 80 representou pouco em termos de IED.

Mais recentemente, embalados pela retomada do crescimento da economia, os investimentos externos voltaram a crescer. Só que desta vez numa escala sem precedentes na história e abrangendo um número muito mais amplo de empresas e cadeias produtivas.

Na última década, cresceu de forma exponencial a internacionalização de empresas dos setores produtores de commodities, como a Vale, Gerdau e Petrobras. Essas empresas são hoje players globais que ampliaram as receitas de exportação, de impostos e de postos de trabalho diretos e indiretos, assim como contribuíram para um amplo reposicionamento do Brasil no cenário geopolítico internacional.

Stock Xchng/Stock Xchng

Stock Xchng/Stock Xchng

Outras grandes empresas como Embraer e Braskem, que possuem enorme potencial de inovação, também se tornaram atores internacionais de peso, em condições de disputar a liderança tecnológica e comercial em seus respectivos mercados. Além dessas, dezenas de outras empresas como no setor mecânico (WEG), no de veículos (Marcopolo), autopeças (Sabó), software (Totvs), hardware (Bematech) e cosméticos (Natura e Boticário), apenas para citar alguns exemplos, ampliaram de forma significativa sua presença externa, mas dessa vez sem se limitar à América Latina. Buscaram com ousadia os maiores e mais dinâmicos mercados do mundo, inclusive os asiáticos, como forma de conquistar novos clientes, gerar e absorver competências e ganhar competitividade.

Não é somente via acesso a novos recursos financeiros que a internacionalização das empresas beneficia o país. Vários são os estudos que demonstram haver uma alta correlação entre internacionalização e a capacidade de inovação, assim como com o aumento de produtividade, com a diversificação produtiva e com o aumento das exportações.

Mais do que isso, quando os obstáculos e as dificuldades prevalecem e as empresas não são capazes de incorporar a internacionalização como parte integrante de suas estratégias corporativas, longe de encontrar proteção no mercado interno, apenas vêem aumentar o risco de estagnação e a perda de dinamismo. Nesses momentos, o canto de sereia do protecionismo surge como tentação quase irresistível.

O atual apoio do governo à internacionalização está, portanto, associado à busca de uma inserção externa dinâmica para as empresas brasileiras. Incentivar as empresas a batalhar sistematicamente pelo aumento de produtividade, com base na ampliação do conteúdo tecnológico de suas atividades e na valorização das iniciativas intensivas em conhecimento, é o único caminho capaz de elevar o padrão de competitividade da economia e sustentar um longo ciclo de crescimento para o país.

* Glauco Arbix é presidente da Agência Brasileira de Inovação (Finep).

Luiz Caseiro é pesquisador do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP).

IBM premia pesquisas

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Professor da USP e doutorandos do ITA e da PUC-RS
são selecionados pela IBM do Brasil para receber
auxílio a pesquisas nas áreas de matemática e de computação

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Carlos Humes Junior, professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), e dois estudantes de pós-graduação receberão auxílios à pesquisa da IBM no Brasil por trabalhos nas áreas de matemática e computação.

Humes Junior foi um dos selecionados no IBM Faculty Award 2011 pelo projeto “Modelos matemáticos para a indústria de serviços”. As distinções foram anunciadas em cerimônia no dia 5 de outubro, em São Paulo.

Baseado em estudos que Humes Junior iniciou na década de 1970, durante doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, o projeto visa aplicar modelos matemáticos para otimizar operações de redes de computadores e de sistemas nas indústrias de serviços, como em bancos e call centers, por exemplo.

“Essas questões foram estudadas fortemente na década de 1970 e estão retornando com força agora. Pretendemos continuar realizando pesquisas nessa área usando um pouco da minha experiência em aplicações de teoria da otimização em redes de computadores e de sistemas”, disse Humes Junior à Agência FAPESP.

Por sua vez, Julio Cezar Silveira Jacques Junior, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da Faculdade de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e Juliana Bezerra, doutoranda da Divisão de Ciência da Computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foram escolhidos para receber o IBM Ph.D Fellowship Award 2011 por suas pesquisas, respectivamente, sobre “Segmentação humana em imagens fixas” e “Comunidades virtuais auto-organizadas: mecanismos de resposta a conflitos e de motivação.

Segundo a IBM do Brasil, o IBM Faculty Award premia anualmente professores de “universidades renomadas em todo o mundo que atuam na criação de ciência e tecnologia que tornem o mundo mais inteligente”. O prêmio tem por objetivo estimular a colaboração entre a academia e a indústria, em áreas de interesse estratégico da IBM.

O processo de seleção envolve projetos apresentados por centenas de professores pertencentes às melhores universidades do mundo, e o recebimento do auxílio é o reconhecimento da relevância e provável impacto da pesquisa do professor agraciado, segundo a empresa.

Já o IBM Ph.D. Fellowship é uma bolsa direcionada a doutorandos que realizam estudos sobre questões que contribuam para a solução de problemas de interesse da empresa e que representem contribuições científicas significativas para as áreas de ciência da computação, engenharia elétrica e de materiais, ciências físicas, matemática e ciência de serviços.

As bolsas são concedidas anualmente para doutorandos com atuação acadêmico-científica de destaque em todo o mundo, selecionados por meio de um processo global de seleção altamente competitivo.

O auxílio e as bolsas foram entregues durante o primeiro Colóquio Técnico-Científico realizado pela empresa pela primeira vez no Brasil como parte da celebração de seu centenário.

Promovido pelo laboratório brasileiro da divisão de pesquisa da companhia, o evento foi dedicado à principal linha de pesquisa do laboratório – a exploração de recursos naturais, em especial, petróleo e gás, recursos minerais e agricultura.

FAPESP Week discute cooperação científica entre Brasil e EUA

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Agência FAPESP – Os mais recentes avanços da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias obtidos nos últimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos serão tema de debates entre cientistas dos dois países durante a FAPESP Week, de 24 a 26 de outubro em Washington, Estados Unidos.

Realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), National Science Foundation (NSF), Ohio State University e Woodrow Wilson International Center for Scholars, o simpósio vai expor ao público norte-americano o que há de mais avançado na produção científica brasileira atual e colocar em discussão alguns dos resultados científicos mais expressivos obtidos pelos dois países, com vistas a incrementar a parceria já significativa existente entre ambos.

Durante a FAPESP Week, que também comemora os 50 anos de atividades da FAPESP, 53 pesquisadores de diferentes instituições de ensino e pesquisa vão expor os resultados de seus trabalhos, entre eles Paulo Nussenzweig, Vanderlei Bagnato, Paulo Artaxo, Marie Anne van Sluys, Glaucia Souza, Fernando Limongi, Hugo Armelin, Mayana Zatz e Walter Colli, da Universidade de São Paulo (USP); Hugo Fragnito, Carlos Lenz Cesar, Carlos Joly, Paulo Arruda, Licio Veloso e Fernando F. Costa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Tullo Vigevani, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Gilberto Câmara, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Jorge Kalil, do Instituto Butantan.

Os brasileiros debaterão com renomados pesquisadores de instituições norte-americanas, entre eles Erich Grotewold, Wondwossen Gebreyes e Daniel James, da Ohio State University; Michal Lipson, da Cornell University; Thomas Lovejoy, da George Mason University; Ana Carnaval, do The City College of New York; John Wenzel, do Carnegie Museum of Natural History; Tulia G. Falleti, da University of Pennsylvania; Elizabeth Stein, da University of New Orleans; Scott Desposato, da University of California, San Diego; Jane Buikstra, da Arizona State University; e Nikolaos Vasilakis, da University of Texas.

Entre os temas debatidos estarão aqueles localizados em áreas de fronteira da ciência, como bioenergia, genômica, biodiversidade, mudanças climáticas globais, óptica e fotônica, câncer, células-tronco, distúrbios genéticos, doenças tropicais e doenças infecciosas que atingem pessoas em todo o mundo, vacinas e medicamentos, além de ciência política e estudos sobre metrópoles.

“A inclusão de um simpósio do porte da FAPESP Week entre os eventos comemorativos do cinquentenário da Fundação é uma maneira construtiva de reconhecer a importância e de aprofundar a interação entre cientistas num mundo globalizado”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destaca que a colaboração internacional proposta pelo encontro é parte importante da estratégia da Fundação.

“A FAPESP tem importantes acordos com agências como a NSF, nos Estados Unidos, Research Councils, no Reino Unido, DFG, na Alemanha, CNRS, na França, pelos quais são apoiados importantes projetos de pesquisa colaborativa”, disse.

A FAPESP Week ocorre em um momento em que a pesquisa brasileira alcança maior projeção, com índices que denotam sua maior participação no sistema mundial de ciência e tecnologia.

A maior produção brasileira, aliada a maior visibilidade alcançada por essas pesquisas, inspirou a FAPESP a lançar um Código de Boas Práticas Científicas, seguindo a tendência, verificada em vários países nos últimos dez anos, de publicar regulamentos, códigos de conduta e políticas institucionais para o tratamento de bons procedimentos nessa atividade.

Desse modo, busca-se não apenas dar visibilidade internacional à produção local, mas garantir a excelência da pesquisa científica e tecnológica realizada no Estado de São Paulo.

Temas em debate

No primeiro dia da FAPESP Week será apresentado na sessão sobre Mudanças Climáticas um estudo sobre interações entre a sociedade e a natureza na região.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, em sua palestra “Land change and human-environment interactions in Amazonia: integrative modelling approaches”, mostrará métodos para levantamento de informações para avaliar e prever mudanças resultantes de ações humanas na Amazônia e formas de organização que contribuam para evitar o desmatamento e emissões de gases utilizando sistemas computacionais que estão em desenvolvimento no Inpe.

No mesmo painel, Reynaldo Victoria falará sobre resultados de projetos apoiados no Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), que coordena.

As principais metas do programa são o aumento de conhecimento sobre o clima para apoiar decisões políticas relacionadas às mudanças e estabelecer estratégias de mitigação e de adaptação a elas.

Com investimentos de US$ 30 milhões, o PFPMCG apoia o processamento de um grande volume de informações produzidas no país para criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, capaz de gerar cenários climáticos futuros e necessário para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente pelo Brasil.

Um supercomputador, instalado no Inpe, foi adquirido pela FAPESP em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para fazer esse trabalho.

Na sessão que inclui o tema Biodiversidade e Amazônia, o coordenador do projeto BIOTA-FAPESP, Carlos Joly, vai expor os dados da primeira fase do programa (1999-2009), entre eles 27 mapas da vegetação, que serviram, por exemplo, de base para a atuação do Ministério Público Estadual em situações de degradação ambiental no Estado de São Paulo, em seis núcleos regionais no Estado.

O BIOTA-FAPESP, que se estende por mais dez anos (2010-2020), compreende pesquisas para formação de pesquisadores, bioprospecção e análise das origens da diversidade e da distribuição da flora e da fauna no Estado de São Paulo, voltadas para políticas públicas com impacto na conservação e uso sustentável da biodiversidade.

No segundo dia da FAPESP Week, a pesquisadora do Instituto de Química da USP Glaucia Souza fará uma apresentação sobre o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), com investimento previsto de até US$ 130 milhões para integrar pesquisas básicas e aplicadas sobre cana-de-açúcar e outros materiais que podem ser usados como fontes de biocombustíveis.

Um dos 59 projetos do BIOEN desenvolveu em laboratório um bioquerosene para substituir o querosene derivado de petróleo utilizado pela aviação comercial.

O biocombustível pode ser produzido em diferentes regiões do Brasil, com menor custo de distribuição e sem custo com royalties, pois, além da matéria-prima, a concepção, o projeto e a construção dos reatores e separadores são nacionais. A pesquisa apresenta desenvolvimento e inovação nas áreas de engenharia das reações químicas e das separações, garantindo pureza ao produto e sua possibilidade de uso em altas altitudes.

Agência FAPESP fará a cobertura diária da FAPESP Week direto de Washington. Mais informações e notícias (em inglês) estão disponíveis no site do evento: www.fapesp.br/week.

Ainda em obras, novas federais já têm 10% dos alunos

segunda-feira, outubro 17th, 2011
Por Luciano Máximo | De São Paulo

 Jornal Valor Econômico

Mais de 40 cidades, a maioria do interior do país, entraram no mapa do ensino superior público desde 2005, com a ampliação e a abertura de 14 universidades federais, distribuídas em mais de cem campi. Se a infraestrutura ainda é um problema, o número de alunos tem crescido. Desde o primeiro ano letivo de funcionamento das novas universidades em 2006 até hoje, as matrículas saltaram de 25 mil para mais de 80 mil, fatia de quase 10% de todas as vagas na rede de ensino superior federal, que conta hoje com 59 instituições.

No período, a concorrência do vestibular também cresceu. Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, que passou por ampliação em 2008, a relação candidato/vaga para medicina é de 59,3. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o mesmo índice é de 45,3; na Universidade de São Paulo (USP) a concorrência é de 67 vestibulandos para cada vaga. Como em outras universidades, a procura é baixa nos cursos de licenciatura.

O processo seletivo via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o bacharelado interdisciplinar (BI) de ciência e tecnologia da Universidade Federal do ABC (UFABC) foi o mais disputado do país este ano, com a marca de 11 alunos por vaga. O que atrai o aluno é a proposta de grade curricular livre do bacharelado, que oferece formação geral nos três primeiros anos seguida de uma especialização. Primeira a implantar o projeto pedagógico em 2005, ano de sua fundação, a UFABC já “exportou” o modelo para outras 14 universidades e colabora na implantação do bacharelado interdisciplinar em instituições particulares.

Esse modelo se propõe a integrar conhecimentos na formação inicial do aluno e reforçar o estudo específico na parte final. Na UFABC, a ênfase dos bacharelados está nas engenharias e no curso ciências da computação, estratégia que atende a demanda por mão de obra qualificada nas indústrias do ABC paulista. “Tenho vários colegas estagiando em grandes empresas, como Siemens e ABB “, conta Marco Camargo, aluno da UFABC.

A oferta de cursos de graduação nas novas universidades foi pensada conforme a localização e as principais características para o desenvolvimento regional. No interior do Rio Grande do Norte, as graduações de agronomia e engenharia do petróleo da Universidade Federal do Semi-Árido estão associadas ao forte mercado agrícola e aos projetos da Petrobras na região. Instalada em diversos campi espalhados pelo interior do Rio Grande do Sul, Paraná e de Santa Catarina, a nova Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) foi criada a partir da demanda de movimentos sociais e de prefeituras.

Em Santarém, todos os cursos oferecidos pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), aberta em 2009, têm abordagem relacionada à floresta amazônica. “Hoje há carência profissional na região nos projetos de geração de energia, por isso formatamos nossas engenharias para contemplar manejo florestal e aspectos hídricos específicos. Temos a maior bacia hidrográfica do planeta, mas nunca tivemos cursos específicos. Criamos os programas de piscicultura e aquicultura, áreas que poderiam ter um mercado forte de exportação se produzisse em grande escala”, diz José Oliveira Aquino, pró-reitor de ensino da Ufopa.

O maior problema da expansão das universidades federais é a infraestrutura. Sem exceção, as 14 novas instituições são verdadeiros canteiros de obras e a grande maioria apresenta atraso nas construções, o que implica em salas de aula improvisadas, ausência de laboratórios adequados e uma lista de precariedades no serviço cotidiano, como problemas na biblioteca, na moradia estudantil, restaurante universitário.

De acordo com monitoramento do Ministério da Educação (MEC), o projeto de expansão de toda a rede federal demanda uma área construída de 3,5 milhões de metros quadrados, com mais de 30 obras paradas atualmente. “Já foram entregues 1,6 milhões de metros quadrados, mas estamos monitorando os atrasos, que ocorrem por causa de problemas de cumprimento de contrato por parte das empreiteiras”, justifica Luiz Cláudio Costa, secretário de ensino superior do MEC. “Saímos de um patamar muito baixo, com orçamento limitado e sem capacidade operacional. As universidades tiveram que reaprender a investir, reorganizar seus setores de engenharia, de compras. Os transtornos são legítimos, mas precisamos resolver”, completa.

Desde o início do ciclo de expansão do ensino superior federal, o orçamento de toda a rede cresceu 94% em valores correntes, de R$ 12,5 bilhões em 2006 para R$ 24,2 bilhões este ano, segundo lançamento na Lei Orçamentária Anual (LOA). Em igual período, os recursos das 14 novas instituições registrou alta de 370%, saindo de R$ 404 milhões para R$ 1,9 bilhão.

4º Open Innovation Seminar

segunda-feira, outubro 17th, 2011

Agência FAPESP – O Centro de Open Innovation, em parceria com o Centro de Referência em Inovação (CRI) da Fundação Dom Cabral, realizará, nos dias 23 a 25 de novembro, o 4º Open Innovation Seminar.

O evento é voltado a profissionais ligados às áreas de inovação, formuladores de políticas públicas, gestores de escritórios de transferência de tecnologia e executivos das áreas de estratégia, criação de novos negócios, tecnologia, marketing, propriedade intelectual e recursos humanos, entre outros.

Com o tema “Crescimento sustentável apoiado em redes de inovação”, a programação do seminário será composta por palestras, cursos e arenas de inovação para exposição de casos e debates sobre desafios nos setores público e privado.

“Redes e comunidades de inovação: tendências e cenários”, “Redes de inovação e inovação colaborativa no cenário brasileiro” e “Inovação em redes setoriais e cadeias produtivas” são alguns temas que serão discutidos durante o evento.

Henry Chesbrough, professor da Haas School of Business da Universidade da Califórnia em Berkeley, que cunhou o termo inovação aberta em 2003, estará disponível durante o seminário para o aconselhamento de empresas e para participação em eventos in company.

O seminário será realizado no Hotel Grand Hyatt, localizado na Av. das Nações Unidas, nº 13.301.

Mais informações e inscrições: www.openinnovationbrasil.ning.com.

Resultado da chamada de Propostas PAPPE-PIPE III 2011

segunda-feira, outubro 17th, 2011

FINEP e FAPESP divulgam a relação das propostas aprovadas na chamada do Programa PAPPE-PIPE III lançada em 10 de maio de 2011. Foram selecionadas 32 propostas, em diversas áreas do conhecimento.

O Programa de Apoio à Pesquisa em Empresa (PAPPE) é um programa desenvolvido pela FINEP em pareceria com as Fundações de Apoio à Pesquisa estaduais. Em São Paulo, devido à existência do programa da FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), as duas agências atuam em pareceria, por meio do programa PAPPE-PIPE III.

Para ver o resultado da chamada, clique em:

Propostas aprovadas